Enfim professores de Santa Isabel são pagos; outros servidores continuam sem receber

Após 14 dias de atraso, a prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro (a 684 quilômetros de Manaus), finalmente pagou, nesta quinta-feira (12), o salário atrasado dos professores contratados do município. Porém, de acordo com o presidente da Câmara Municipal de Santa Isabel, vereador Regis Góes (PMDB), funcionários temporários de todos os demais setores da administração pública estão sem receber desde o fim do mês passado.

“São todos os contratados do município que estão nessa situação. A categoria que nos procurou foi a dos professores e as demais ainda não foram assistidas pela prefeitura que até o momento não deu nenhum posicionamento sobre essa questão”, disse o vereador, ao ressaltar que alguns funcionários estão tendo dificuldades no dia-a-dia por causa da falta de pagamentos. “Os funcionários estão tendo luz cortada, dificuldade de por comida na mesa. São contratados da limpeza, da saúde, transporte. São todos”, afirmou.

O Radar tentou conversar com o secretário de administração do Município, Manoel Maurício de Oliveira, que rapidamente entrou em estado de nervosismo e não quis dar nenhuma informação afirmando que não está autorizado pelo prefeito Araildo Mendes do Nascimento, conhecido como Careca.

“No momento eu não posso dizer nada. Eu preciso de uma autorização do prefeito para poder falar alguma coisa”, disparou o secretário.

DEMARCAÇÃO DE TERRAS

O presidente da Câmara também informou que uma comissão de vereadores do município de Barcelos (a 399 km em linha de Manaus), e do Município de Santa Isabel do Rio Negro, vão a Brasília com a denúncia de que uma grande demarcação de áreas indígenas está sendo preparada por ONGs.

Conforme o parlamentar, a comissão vai apresentar ao Governo Federal um relatório detalhado da situação. O relatório será encaminhado também ao Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF).

Regis Góes disse que o Instituto Socioambiental (ISA) é a ONG que está atuando mais diretamente para a demarcação das terras. Outras ONGs como Climate Alliance (Alemanha), Rainforest Foundation Norway (Noruega), Ford Foundation (EUA) e outras seis estrangeiras, além de entidades brasileiras estão envolvidas.

“A grande quantidade de demarcação de terras por essas ONGs engessaria várias atividades econômicas oriundas do extrativismo, da pesca e do turismo ecológico”, disse, ao ressaltar que trabalhadores podem ficar sem emprego nos municípios se as áreas indígenas forem demarcadas.

Está marcado para o próximo dia 27 de outubro, uma audiência pública na Câmara Municipal de Barcelos, para debater todas as questões referentes ao caso.

Nas terras indígenas em questão encontram-se grandes reservas minerais, dentre elas uma reserva de tantalita, mineral que produz o tântalo, o nióbio e terras raras – todos de grande potencial estratégico para a medicina, a indústrias da aviação e componentes eletrônicos. (Asafe Augusto)