Enfrentando provocações e "gigantes" russos, seleção de volêi atropela campeã olímpica e mundial avançando à semifinal

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A cada vez que os olhos encontram Dmitriy Muserskiy, um filme passa pela cabeça. Aquele gigante de 2,18m remete a uma derrota amarga na final das Olimpíadas de Londres. Quem estava lá não esquece. Nem ela, nem as outras três que vieram na sequência. A ideia dos jogadores do Brasil era mudar o final da história nesta quinta-feira, na partida de estreia na fase final da Liga Mundial, que está sendo disputada em Florença. Conseguiram. Com uma atuação muito segura, resistiram às investidas de Muserskiy e às provocações de Spiridonov, o “Tintim”. Mostraram que a fase turbulenta ficou para trás e que estão dispostos a brigar pelo décimo troféu da competição: 3 sets a 1, parciais de 26/24, 22/25, 25/23 e 25/22.
Com o resultado, a seleção avançou à semifinal. O próximo compromisso será contra o Irã, nesta sexta-feira, às 12h30 (de Brasília). O SporTV transmite ao vivo e o Globo Esporte.com acompanha em Tempo Real.
A vitória tem um gostinho ainda mais especial para Wallace. Em maio, o oposto esteve diante de Muserskiy no Mundial de Clubes. Deixou o Mineirinho triste ao ver o seu Cruzeiro ser batido pelo Belogorie Belgorod do central. Na nova oportunidade, não economizou: foi o maior pontuador do confronto com 23 acertos. Do outro lado, Nicolay Pavlov foi quem mais pontos marcou: 18. Muserskiy terminou com 13.

– O time mostrou todo o sofrimento que teve para chegar até aqui. Não foi nada fácil. A gente sabe a pressão que sofreu durante a fase preparatória. Fazia tempo a gente não vencia a Rússia. Ganhar é sempre bom. E foi merecido. O time inteiro jogou muito bem. Agora é seguir nesse patamar aí. Vamos ter só a crescer – disse Wallace.

O jogo

O Brasil entrou na partida perdendo uma opção de troca no banco. Com um estiramento na panturrilha direita, o ponteiro Lipe terá de ficar fora de toda a fase decisiva. Dentro de quadra, seus companheiros encaravam os russos, jogavam a pressão para o outro lado. O bloqueio duplo caçava Muserskiy, Sidão fazia estragos no saque e a equipe abria 12/8. Wallace comemorava a cada vez que passava pela marcação do gigante. Apesar dos quatro pontos que separavam os times no placar e do maior volume de jogo do Brasil, Muserskiy parecia ter a certeza de que a situação estava sob controle. Dono do melhor saque da competição, foi para o serviço e diminuía a vantagem para 15/14. Bernardinho tratava de frear a reação pedindo tempo. Mas não demoraria para que o empate chegasse. Pavlov aparecia para fazer 17/17.

O sinal de alerta estava ligado. Murilo também. Parava Pavlov e atacava com inteligência. Os adversários insistiam e conseguiam a virada após um ataque de Wallace para fora (22/21). Bernardinho pedia calma. A seleção respondia. Wallace bloqueava e deixava o time a um ponto de fechar o set. Se Lucão errava o saque, Wallace recuperava a vantagem novamente. E dessa vez, Lucarelli não perdoava: 26/24.

O Brasil tinha pressa e dava pouco tempo para os russos respirarem (4/1). Spiridonov deixava o banco e ia para a quadra. A muralha também crescia diante dos olhos de Wallace. Com a nova formação, os rivais davam o troco e abriam 7/4. Mas os nervos estavam no lugar. Bruninho distribuía bem as jogadas e equilibrava novamente as ações. Foi o suficiente para que “Tintim” começasse com as provocações na rede. As mesmas que na Liga Mundial passada fez Bernardinho se queixar da postura e chamar de louco. Só que os brasileiros davam de ombros. Ele continuava tentando tirar a concentração dos adversários, gritando a cada bola que colocava no chão (22/18). O volume ia abaixando com a aproximação da seleção (23/22). O sufoco seria logo contornado e a Rússia ficava com a parcial: 25/22.

Enquanto comemoravam, a seleção trabalhava e se distanciava (12/9). Os erros de saque davam sua contribuição para que a Rússia tomasse o comando do marcador. No meio do caminho, Spiridonov era advertido pela arbitragem com um cartão amarelo (21/18). Era avisado que o set ainda não tinha acabado e que o dono, após uma grande recuperação, vestia amarelo: 25/23.

Os atuais campeões olímpicos e da Liga Mundial passavam por um momento delicado. A seleção fechava bem os espaços da quadra. Atacava com vontade e tirava os sorrisos dos rostos dos carrascos (14/12). Sem piedade. A vitória se aproximava a passos largos. E dessa vez o final era feliz: 25/22.

Fonte: G1

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