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Enquanto a cidade vive o caos na segurança pública, policiais servem de cabos eleitorais nas ruas

Enquanto os cidadãos de Manaus não têm um dia de paz diante da violência que atinge as famílias, membros da cúpula da segurança pública que têm seus salários pagos por estes mesmos cidadãos, vão às ruas mas não é pra fazer segurança pública, mas sim para fazer campanha política. Após terem sido exonerados dos cargos sob a desculpa de um realinhamento da Segurança Pública de acordo com o programa GuardiAM 24 horas – aquele inventado pelo governador Amazonino e por quem nem vive aqui, Rudolph Giuliani – , os ex-Delegados Geral e Adjunto da Polícia Civil do Amazonas, respectivamente, Mariolino Brito e Antônio Chicre, e o ex-secretário executivo adjunto de Planejamento e Gestão Integrada da Segurança (Seagi), coronel Fábio Pacheco, passaram a fazer campanha eleitoral em prol do ‘ex-chefe’: vice-governador e ex-secretário de Segurança Pública, Bosco Saraiva (Solidariedade), que disputa uma vaga na Câmara Federal nestas eleições.

O apoio político tem sido registrado nas próprias redes sociais de Bosco Saraiva, especialmente no Stories do Instagram, pelo menos desde a última sexta-feira (21). Na manhã deste sábado (22), por exemplo, os ex-membros do alto escalão da Segurança Pública do Amazonas participaram de uma caminhada ao lado de Bosco, na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro.

Bosco Saraiva é presidente do Solidariedade, partido político do arco de alianças da coligação Eu voto no Amazonas, encabeçada pelo governador e candidato à reeleição, Amazonino Mendes (PDT).

No entanto, especulações nas coxias do Palácio do Governo, na Compensa, zona Oeste de Manaus, dão conta de que há um distanciamento entre Bosco Saraiva e Amazonino Mendes. A distância é tanta que Amazonino sequer tem mencionado o nome ou número do vice-governador em eventos públicos de campanha, assim como Bosco não tem sido visto, durante as ações de campanha nas ruas, pedindo votos ao governador.

Os delegados e o ex-titular da Seagi foram exonerados dos cargos no início deste mês. A debandada iniciou com o então delegado-geral Mariolino Brito. Ele fez uma carta de exoneração para ser entregue a Amazonino, chegou a anunciar que deixaria o cargo, mas foi convencido pelo governador a permanecer no cargo. No entanto, no dia seguinte, o Governo publicou o decreto de nomeação do novo delegado-geral da PC no Amazonas que desde então é comandada pelo delegado Frederico Mendes.

Antônio Chicre foi substituído pelo delegado Ivo Martins e o coronel Fábio Pacheco deixou a titularidade da Seagi para o também coronel Gilberto de Andrade Gouveia.