Enquanto a Justiça se omite, moradores do Viver Melhor correm o risco de morrer (ver vídeo)

Foto: Radar Amazônico

“Estão brincando com nossas vidas”, disse a moradora do conjunto habitacional Viver Melhor, Yane Araújo, que reclama sobre os problemas na estrutura dos prédios que colocam em risco a vida de centenas de pessoas. Em nova visita ao local nesta terça-feira (12), a equipe do Radar Amazônico constatou a inércia por parte das autoridades competentes desde novembro de 2020, quando a redação começou a acompanhar o caso de perto.

A casa de Yane enfrenta diversos problemas estruturais como rachaduras e fissuras nas paredes e no teto, despertando medo na dona de casa, pelo risco de desabamento iminente do prédio. “A situação só piora, pois ficam jogando a culpa um para o outro”, disse Yane se referendo à construtora do conjunto Direcional Engenharia, ao Governo do Estado e à Caixa Econômica Federal, responsáveis pelo projeto de habitação vinculado ao programa Minha Casa Minha Vida.

No dia 17 de dezembro de 2020, uma audiência foi marcada pela Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) para reunir representantes da construtora, do Governo e da Caixa, mas ninguém compareceu. Em nota, a DPE-AM se limitou a dizer que a audiência foi adiada e que não há data para uma nova reunião. Enquanto isso, os moradores seguem com medo de uma possível tragédia.

“Quando vem chuva fico inquieta e apreensiva. Qualquer barulho já fico assustada e por isso tirei o cadeado do portão, para correr com rapidez caso aconteça algo. O bem material a gente consegue de volta, mas nossas vidas não”, desabafou Yane, acrescentando que não se sente bem na própria casa e que está com o psicológico abalado.

Alguns blocos do conjunto Viver Melhor já foram condenados pela Defesa Civil municipal. Em visita ao local, um agente do Corpo de Bombeiros informou aos moradores que a estrutura desses prédios foi construída em cima de um lençol freático, um antigo balneário que havia naquela região. Por este motivo a água sobe pelas paredes, consumindo o interior das estruturas.

É o caso de Gilson Nascimento, que enfrenta problemas com mofo em várias partes de sua casa, ocasionados pela água que infiltra e escorre pelas paredes, causando mal cheiro e tornando os cômodos praticamente inabitáveis. O líquido vem do subsolo.

“Dois meses se passaram, nada foi feito e pelo o que estamos vendo, nem será. Não dá nem para dizer que a cada semana surge um novo problema, porque eles aparecem a cada dia e a gente tenta entrar em contato, mas não nos dão informação”, revelou Gilson, que mora no Viver Melhor desde 2011 e é uma das pessoas que está a frente da luta paa que os problemas estruturais sejam resolvidos.

Uma ação civil pública segue em tramitação na Justiça há anos, mas nenhuma solução prática foi dada, até o momento, aos habitantes do conjunto Viver Melhor. O Radar Amazônico vai continuar acompanhando o caso.