Enquanto Ação Civil Pública corre na Justiça, moradores do Viver Melhor temem que edifícios desabem (ver vídeo)

“Quando eu cheguei aqui chorei de alegria e hoje eu choro de tristeza”, disse a moradora do conjunto Viver Melhor, Iani Araújo, que procurou o Radar para denunciar que seu apartamento apresenta diversas rachaduras e infiltrações.

Na semana passada a reportagem do Radar esteve no conjunto, que fica localizado no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus, para mostrar as péssimas condições de outro imóvel, desta vez do morador Gilson Nascimento. O Radar verificou, indo até o partamento de Gilson no Viver Melhor, que a situação é desesperadora, com as peredes enegrecidas de mofo e um mal cheiro insuportável.

Após a denúncia publicada pelo Radar, várias outras pessoas que passam pelo mesmo problema no conjunto Viver Melhor entraram em contato com a redação para denunciar também que sofrem com a péssima qualidade da obra feita pela construtora Direcional Engenharia.

Na manhã desta terça-feira (10), a moradora Iani Araújo abriu sua casa, para mostrar rachaduras e parte do teto da cozinha que desabou. A moradora disse ainda, que agora nem tranca mais o cadeado da entrada do prédio, para facilitar sua fuga caso seja preciso sair correndo num caso de desabamento.

“Quando chove eu não fico tranquila, eu já fico com medo. Essa quadra aqui já foi condenada e as nossas autoridades não fazem nada, e caso aconteça o pior, não vai adiantar fazerem mais nada, porque as nossas vidas não vão voltar”, disse a moradora.

Iani relatou ainda que, pouco tempo atrás uma tubulação se rompeu, em frente a quadra 36, e a rua alagou, no entanto, um bombeiro informou que parte da água que estava saindo de baixo da terra não era da tubulação e sim do lençol freático que passa debaixo dos apartamentos (Veja o vídeo).

Em alguns apartamentos a cerâmica se partiu, já em outros o teto do banheiro já desabou e os moradores já não aguentam mais gastar dinheiro com tinta para esconder o mofo.

Uma das rachaduras é tão grande que é possível uma faca atravessar a parede

A reportagem do Radar entrou em contato com a Caixa Econômica Federal – que é responsável pelo financiamento do imóvel – para pedir uma solução a respeito, em resposta a Caixa informou que o imóvel foi construído pela Direcional Engenharia S.A., sendo a empresa responsável pela obra e pelos reparos, quando necessários.

E que o Banco disponibiliza o canal De Olho na Qualidade para atendimento das reclamações sobre possíveis vícios construtivos nos imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida, por meio do telefone gratuito 0800-721-6268 ou através do site da CAIXA (www.caixa.gov.br) na opção Fale Conosco, no qual a construtora é acionada para promover os reparos, quando pertinente.

A CAIXA informa ainda que no caso específico da denúncia apresentada ao portal Radar Amazônico, a Caixa está buscando identificar o morador para direcionamento de equipe técnica ao imóvel e acionamento da construtora responsável para execução dos reparos, caso decorram de problemas construtivos.

Na semana passada o Radar procurou também a construtora Direcional que em resposta, rebateu as acusações jogando a culpa nos moradores ao dizer que os problemas nos imóveis são resultados de “hábitos dos moradores e que o empreendimento em questão já não está mais no período de garantia contratual”.

Na manhã desta sexta-feira (10), funcionários da construtora estiveram no apartamento do morador Gilson Nascimento, para fazer “reparos” mas segundo o morador, ele sequer permitiu que os funcionários entrassem alegando que apenas uma “maquiagem” não iria solucionar o problema.

O defensor público Rafael Barbosa, que está a frente da Defensoria de Interesses Coletivos, explicou que já existe uma Ação Civil Púlica (ACP) desde 2017 que foi ajuizada com o objetivo de garantir efetiva aplicação do fundamental direito social à moradia para os habitantes dos Residenciais Viver Melhor I e II, violados com defeitos  nas unidades residenciais e ausência de equipamentos urbanos. (veja documento no final da matéria).

O valor da causa foi estimada em R$ 834.425.000,00 (oitocentos e trinta e quatro milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil reais) e tem como réus o Estado do Amazonas, Superintendência de Habitação do Estado do Amazonas, União Federal, Caixa Econômica Federal e a construtora Direcional Engenharia.

O defensor ressaltou ainda, que está buscando uma solução que não dependa do judiciário e que foi marcada uma reunião para daqui a 15 dias para tentar conseguir um acordo.

“Semana passada eu conversei com esses réus da ação cobrando deles que agente faça um acordo. Percebemos que existe uma intenção deles também em fazer um acordo, mas é necessário conversar para ver como vai ficar melhor para todo mundo, tem uma reunião marcada para daqui a 15 dias para tentar fazer esse acordo”, disse o defensor público Rafael Barbosa.

Enquanto o processo se arrasta na Justiça, várias famílias temem que o tão sonhado teto desabe sobre suas cabeças.

Moradores do Conjunto Viver Melhor denunciam que estrutura do prédio corre risco de desabar

Moradores do Conjunto Viver Melhor denunciam que estrutura do prédio corre risco de desabar

Posted by Radar Amazônico on Tuesday, November 10, 2020

Ação Civil Pública- Dano social e coletivo – Residencial Viver Melhor – Infraestrutura e Equipamentos Urbanos