Enquanto atletas fazem rifa para competir Sul-Americano de Jiu-jitsu, governo do AM paga meio milhão para campeonato de dominó de A Crítica

A cifra milionária saiu dos cofres públicos através da Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR)

Foto: Divulgação

Na contramão do que está no próprio site do governo do Amazonas sobre a existência da Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR), que como bem diz o nome foi criada para incentivar o desenvolvimento de esportes de alto rendimento – bom lembrar que jogo de dominó não é considerado esporte de alto rendimento -, o Governo do Amazonas vai patrocinar com o valor de R$ 500 mil o torneio de dominó de A Crítica (ver publicação ao final da matéria).

Com o visível intuito de desviar a atenção de que o pagamento será destinado à Rede Calderaro de Comunicação, a empresa que aparece na publicação é a Editora Cultural da Amazônia Ltda, que apesar de ter um nome que não faz lembrar de A Crítica, mas faz parte do mesmo grupo empresarial.

E, enquanto os jogos de dominó vão levar meio milhão dos cofres públicos, famílias de atletas fazem rifa para que crianças e adolescentes possam participar de competições, como aconteceu no caso dos atletas do projeto “Mais Que Vencedores”, que sem apoio nem do governo do Estado, nem da Prefeitura de Manaus, trouxeram duas medalhas para o Amazonas.

A relação do governador com eventos feitos pelas empresas de seus patrões – Wilson Lima era apresentador de programa policial na TV A Crítica –  é antiga. Somente no primeiro ano de gestão de Wilson Lima o canal de televisão recebeu quase R$8 milhões em pagamentos do governo. 

Apesar do campeonato ser de dominó, a FAAR alega a necessidade do incentivo à prática física para justificar o pagamento.

Relembre outros casos

Os gastos da atual gestão, ligados à empresa que comanda o evento, não são novos. Nos anos de 2019, 2020 e 2021, o Radar Amazônico fez diversas denúncias envolvendo gastos similares. Em 11 de abril de 2019, o Radar mostrou que Wilson Lima estava usando o FTI, um fundo que deveria ser utilizado para o desenvolvimento do interior do Estado, para patrocinar o carnaval transmitido pela emissora A Crítica. Na época, os recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento (FTI), não foram parar nem nos cofres das prefeituras dos municípios do interior do Estado. Pelo menos R$ 1,3 milhão foram parar nas contas dos proprietários da Rede Calderaro de Comunicação

Em 13 de dezembro de 2019, o Governo Wilson Lima seguiu a preferência nos gastos envolvendo o grupo Calderaro. Naquele momento, logo após a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) gastar mais de R$ 1,6 milhão para patrocinar por menos de um mês a realização do Peladão 2019, do jornal A Crítica, a Família Calderaro também recebeu quase R$ 1 milhão dos cofres públicos com a justificativa de divulgar o “destino Amazonas”, no programa “A Bordo-Reality”, por “apenas 15 dias”.

Um ano depois, Wilson Lima voltou a mostrar o seu gosto pelo evento organizado pela emissora, quando em plena pandemia e um mês antes do colapso do oxigênio no estado, o governador decidiu empenhar R$ 1,6 milhão para a realização do campeonato de futebol “Peladão”, organizado pelo Jornal e TV A Crítica.

Em 2022, o governador seguiu destinando valores para a emissora A Crítica. A Live Carnaval 2022, de apenas um dia da TV A Crítica, para transmitir o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de Manaus, custou mais de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos  dispensa de licitação.

Durante todos esses anos, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e nem o denominado Fiscal da Lei, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) parecem não ter visto nada de anormal nesses gastos feitos pelo governo de Wilson Lima que são uma afronta à Constituição Federal no que se refere pelo menos a dois preceitos fundamentais da administração pública, os princípios da moralidade e da impessoalidade.

Confira documento: