Enquanto governador distribui tablets e dinheiro pelo Banco do Povo, PMs ficam sem alimentação e fazem cota pra abastecer viatura

Enquanto policiais militares reclamavam, nesta quarta-feira (30), que estavam o dia inteiro sem comer e que estavam fazendo cota para abastecer viatura da PM porque não tinha gasolina, o governador do Estado, professor José melo (PROS) estava lá pras bandas do interior fazendo a alegria de seus prefeitos aliados que já estão em plena campanha à reeleição, distribuindo tablets a rodo, como fazia em benefício próprio em 2014, e entregando cheques pelo Banco do Povo, sem que os órgãos fiscalizadores da administração pública vejam nada de errado nisso.

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em uma das sessões passadas, decidiram exigir da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), órgão da administração indireta do governo do Estado, os dados dos empréstimos/financiamentos concedidos aos pequenos e microempresários amazonenses e pessoas físicas ou jurídicas dos últimos cinco anos. O Banco do Povo criado pelo governador é um dos programas de financiamento da Afeam.

Segundo o TCE, durante as inspeções, a Afeam tem repassado “dados generalizados sobre as operações”, sem detalhar cada transação, o que, de acordo com o colegiado do TCE, fere o princípio da transparência, quando se trata de dinheiro público. Mas, se houve resposta para as exigências do TCE ainda não se sabe. Enquanto os questionamentos andam a passos de tartaruga – ou seria melhor dizer de jabuti, aquele mesmo que andou aparecendo lá pela Assembleia Legislativa do Estado – a distribuição de dinheiro pelo governador no interior andam a jato, ultrapassando R$ 71 milhões só no ano passado.

Jogo do Empurra

E como sempre acontece ninguém sabe explicar porque está faltando alimentação nas unidades de policiamento militar da capital. Os policiais reclamam de trabalharem com fome. A Ripasa, que já ganhou com Melo, desde 2014, mais de R$ 50 milhões em contratos para fornecer alimentação para a PM, nega que não tenha distribuído alimentação para as unidades de polícia, a mesma Ripasa que já foi acusada de intoxicar estudantes de colégios administrados pela PM, de deixar estudantes da UEA com fome ou servir comida com baratas para policiais, mas continua tendo seus contratos renovados.

O Governo do Estado também nega que esteja faltando alimentação para a PM, que tudo não passa de “armação política de adversários do Governo”. Mas, os policiais reclamam da fome, só quem não reclama são os prefeitos do interior, afinal, tem tablet e dinheiro do Banco do Povo para seus eleitores. (Any Margareth)