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Governo gasta mais de R$ 166 milhões com festas, mas faltam leitos de UTIs nos hospitais do Amazonas

No ano passado, o governo de Wilson Lima gastou mais de R$ 166 milhões com festas e eventos. Esses gastos estão registrados no Site Transparência do Governo do Estado, na página da Secretaria de Cultura do Amazonas (ver documento no final da matéria). Mas se você pensa que a maior parte desse dinheiro foi parar nas contas da SEC, se enganou redondamente. Se fosse assim, qualquer cidadão teria acesso, as informações da destinação dada ao dinheiro público, quando e como foi gasto.

O maior montante desses recursos, R$ 91,7 milhões foram parar nas contas de uma agência, a AADC, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural no ano passado. Em um desses “repasses financeiros”, no valor de R$ 5,7 milhões, por exemplo, o governo de Wilson Lima sequer se dá ao trabalho de explicar onde a tal agência (AADC) vai gastar esses milhões. Veja o que está escrito na parte de “Programa de Trabalho” do empenho: “apoio à Execução de Políticas de Desenvolvimento Cultura” – somente isso e nada mais. E sabe de onde o governo tirou esse dinheiro (Fonte de Recursos)? Do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutra, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas, o FTI dinheiro que deveria ir para os cofres das prefeituras do interior do Amazonas para gerar desenvolvimento – ver empenho no final da matéria.

Mas, se o governo achou por bem usar milhões do FTI para festas e eventos, o dinheiro sumiu quando houve necessidade de investimentos em saúde pública. Há três dias o Radar vem tentando obter informações do governo do Estado, através de sua Secretaria de Comunicação, de quantos e quais são os leitos de Unidade de Tratamento Intenso (UTIs) no sistema de saúde pública do Estado, mas a resposta do governo foi o mais absoluto silencio. O Radar captou algumas informações junto a deputados que participaram de uma reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), com a Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo eles, são pouco mais de trezentos os leitos de UTI no Estado, mas a maioria está ocupado. A possibilidade de expansão é de tão somente algo em torno de cem leitos, o que se torna muito preocupante diante da possibilidade de surgirem casos graves de infecção por coronavirus e essas pessoas precisarem de internação em UTIs.

E vocês pensam que mesmo com o surgimento do coronavirus no mundo, o governo do Estado se acautelou de criar estrutura para a saúde pública? Nam, nam, nim, nam, não! Mas, para a AADC continua não faltando dinheiro. Somente este ano já foram feitos seis empenhos com repasses para a tal agência, no valor de mais de R$17 milhões. Enquanto isso, só nos resta rezar para que os leitos de UTIs sejam suficientes em tempos de pandemia por coronavirus, já que fazer festa parece ser a única política de governo que realmente importa.