Anúncio

Enquanto prefeito de Maués gasta com mega festas, pacientes são removidos pra Manaus em barcos de linha

Na contramão dos gastos, que sequer são declarados, com mega festas que têm, inclusive, atrações nacionais, no município de Maués (a 253 quilômetros de Manaus) a população sofre com a falta de serviços essenciais de saúde, como por exemplo, o transporte de pacientes transferidos para Manaus. Conforme as informações que chegaram ao Radar, esse transporte está sendo feito por barcos de linha sem estrutura alguma, de forma precária, e que levam dias de viagem colocando em risco a vida das pessoas.

Vale lembrar que a remoção desses pacientes, muitas vezes em estado crítico, necessitando de atendimento urgente, deveria ser feita por avião para garantir segurança e rapidez na assistência médica. O prefeito Junior Leite (Pros) chegou a lançar edital para assegurar um serviço de fretamento de dois táxis aéreos mas, conforme ação popular ingressada pelo servidor público federal, Aldemir Bentes, “a licitação foi publicada de forma genérica, sem sequer especificação de quantidade de passageiros”, deixando visível que na verdade o serviço seria para atender ao prefeito e os assessores que o acompanham.

Fato que, inclusive, foi alvo do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) no início deste mês, que suspendeu a licitação e o contrato de frete dessas aeronaves no valor de mais de R$ 2,7 milhões para um período de 12 meses.

Em sua manifestação, o Ministério Público do Estado (MPE-AM) analisou que “a contratação de serviço de locação de aeronave pelo demandado a um custo de quase R$ 3 milhões atenta contra o princípio da moralidade administrativa, em especial considerando o custo da passagem de avião para fazer o percurso Maués/Manaus, que hoje gira em torno de R$ 360 o trecho, a situação de penúria financeira que vive o Município, inscrito em dívida ativa da União, bem como o fato de que a publicação de referido contrato no Diário Oficial sequer esclareceu qual a finalidade da citada locação”.

Ainda segundo o parecer do Ministério Público, o valor do contrato “equivale à compra de 3.757 passagens aéreas para o mesmo trecho a que se destina o fretamento, ou seja, à compra de 10 passagens, ida e volta Maués/Manaus por dia, durante um ano”.

E, essa licitação cheia de irregularidades apontadas pelo MPE e suspensa por decisão do TJAM que o prefeito de Maués usa como justificativa para que o traslado de pacientes de Maués esteja sendo feito dessa maneira desrespeitosa e desumana. Em nota, a Prefeitura de Maués informou ao Radar que, devido a decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas que suspendeu a licitação de serviços de voos para transporte aéreo de pacientes de Maués para Manaus e vice-versa, esse translado é realizado atualmente via barco, única forma de sair e entrar no município – êta! Jogou responsabilidade no colo da Justiça.

“No entanto, está sendo providenciada nova licitação para serviços aéreos para o transporte de pacientes em estado grave”, diz um trecho da resposta da Prefeitura de Maués. Vale destacar que pra pagar cantores nacionais o prefeito sequer fala em licitação. E enquanto os cidadãos de Maués sofrem, o prefeito vai preparando as festas deste ano.