Enquanto professores não receberam 13º e no hospital falta até esparadrapo, vereadores da cidade de Coari desfilam com carros que chegam a custar R$ 189 mil

Picapes Coari

Na cidade mais rica do interior do Amazonas, com uma arrecadação que gira em torno de R$ 22 milhões por mês, cerca de 800 professores contratados não receberam nem 13º salário e nem seus salários de dezembro. Os professores efetivos de nível médio receberam 1/3 de 13º salário, algo em torno de R$ 399,00, e os demais servidores públicos algo em torno de R$ 150,00 de 13º salário. Mais de 500 funcionários contratados foram demitidos em pleno mês de dezembro e não tiveram direito nem mesmo aos salários de novembro, e nem um centavo de rescisão de contrato de trabalho – vale ressaltar que os servidores dizem que esses contratos nem existem de fato e de direito.

Nessa mesma rica Coari as informações são de que falta até mesmo gaze e esparadrapo no hospital. Os professores afirmam que as crianças não tiveram nem três meses de ano letivo por falta de merenda escolar e de transporte para a escolas na Zona Rural. A Prefeitura não paga o transporte escolar, os chamados catraieiros, há mais de seis meses – onde foi parar a verba do Fundeb de quase R$ 7 milhões, apenas no mês de dezembro?

Mas, ao andar pelas ruas da cidade, fica visível que se está na rica Coari porquê você vai se deparar, a qualquer momento, com um carro SW4, da Toyota, que completo custa R$ 189 mil reais, cujo proprietário é um dos vereadores da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Coari. Mas, na rica Coari, o indivíduo não precisa nem ter cargo na Mesa Diretora da Casa para ter um carro de luxo. “Os carros mais simplesinhos de um vereador em Coari é uma Picape Triton (com todos os acessórios custa R$ 130 mil) ou uma picape Hilux (completa fica no valor de R$ 152 mil)”, conta um leitor do Radar. Esses veículos não são nada condizentes com os ganhos de um vereador, já que um parlamentar em Coari ganha o equivalente a R$ 8.500,00 – pelo jeito eles estão ganhando 13º, 14º, 15º, 16º e sei lá quantos mais salários, né gente?

Isso faz lembrar que na Lei de Improbidade Administrativa, nº 8.429, de 02 de junho de 1992, diz o seguinte em seu artigo 9º, que “constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei notadamente:”

(…)

Inciso VII – adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público”.

O Radar pergunta: É desproporcional ou não à renda de um vereador ter um veículo nesse valor? E o Ministério Público de Coari ainda não conseguiu enxergar mais essa clara demonstração de enriquecimento ilícito dos agentes públicos de Coari, da mesma forma que parece não ter visto a compra dos diversos imóveis pelo prefeito, em apenas 9 meses de administração? (Any Margareth)