Enquanto salário mínimo ficou em R$ 954, ministros do Supremo receberão R$ 39,2 mil

Enquanto o salário mínimo aumentou, em janeiro deste ano, de R$ 937 para R$ 954, ou seja, um aumento real de 1,81%, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganharam, nessa quarta-feira (7), um reajuste de 16%. O reajuste para os magistrados foi aprovado pelo Senado e seguiu para sanção do presidente da República, Michel Temer (MDB).

Com o reajuste, os subsídios dos magistrados passarão de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Segundo cálculos de consultorias da Câmara e do Senado, o reajuste poderá causar um impacto de R$ 4 bilhões nas contas públicas. O aumento nos salários dos ministros gera o chamado “efeito cascata” nas contas públicas, porque representa o teto do funcionalismo público.

O deputado estadual José Ricardo (PT) – um dos representantes do Amazonas na Câmara dos Deputados a partir de 2019 – criticou, nessa quinta-feira (8), durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), o reajuste salarial concedido aos ministros do STF uma vez que o país ainda conta com mais de 13 milhões de desempregados e ainda sentirá os duros efeitos dos retrocessos e reformas do atual Governo como o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e a Reforma Trabalhista.

“Considero um absurdo esse tipo de reajuste. Agora, conseguimos entender tudo o que aconteceu. Muitos queriam esse aumento ainda no período em que Dilma era presidente. Naquele momento, o Brasil não sofria com esse desemprego. Pelo contrário, em dezembro de 2014 o país registrou o menor índice de desemprego da história. Mas Dilma não considerou ser prioridade. Por isso, o judiciário agiu ferozmente para prender Lula e o impedir de ser candidato, quando liderava todas as pesquisas de intenção de votos. Queremos saber cadê o presidente eleito, que fala tão grosso? Por que não luta contra esse reajuste, já que fala em reduzir despesas no Governo?”, disparou José Ricardo.

O deputado vem criticando os anúncios feitos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sobre a extinção de ministérios estratégicos. Desta vez, o presidente anunciou a extinção do Ministério do Trabalho (MT).

De acordo com José Ricardo, dados do MT mostram a recuperação de mais de R$ 37 milhões de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) no Amazonas, e mais de R$ 4,1 bilhões em todo o país.

“Ainda tem muito empresário sonegador que não recolhe ou não repassa a contribuição previdenciária e do fundo de garantia. Aqui, temos um exemplo clássico, que são as empresas de transporte coletivo, que são acostumadas a recolher os impostos dos funcionários e não repassar aos órgãos competentes. São grandes sonegadoras e muitas empresas que apoiaram o golpe. Precisamos resistir a esses retrocessos e desmandos, porque é preciso cuidar da vida das pessoas”, disse o parlamentar.

José Ricardo também criticou a Reforma da Previdência que deve ser votada sem que se observe o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência que aponta um rombo de R$ 450 bilhões na Previdência Social.
“Isso prova que não existe déficit na Previdência e que o sistema não precisa mudar. O que existe é uma grande sonegação por parte de empresas privadas e também do setor público que não é cobrada pelo Governo, afetando diretamente nosso estado”, disse o deputado.