Enquanto servidores da Prefeitura e do Estado vivem viajando, atletas amazonenses ficam sem disputar torneio por causa de 7 passagens aéreas

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É só abrir o Diário Oficial do Município e do Estado que não vai ser nada difícil encontrar publicações de concessões de passagens aéreas, junto com as respectivas diárias, pagas com o dinheiro do contribuinte, ou seja, do nosso bolso, para secretários e outros servidores públicos da Prefeitura e do Governo do Estado viajarem para outros Estados sempre com a mesma justifica de “tratar de interesses do município, ou do Estado” – que “interesses” são esses nunca fica bem explicado. Por isso, é quase inacreditável – pra não denominar de coisa bem pior – tomar conhecimento através de uma imagem e mensagem enviada para o Whatsapp do Radar do desabafo do mestre de Taekwondo, Ercules Alves, em que ele fala de sua tristeza e decepção por causa da eliminação de seis atletas do Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil e Sub-21 de Taekwondo, realizado no Estado do Paraná, por um único motivo: a falta de passagens aéreas para que pudessem participar da competição.

“ Eu e os meus atletas não fomos porque não saiu nenhuma passagem prometida pelo governo, eles nem sequer nos ligaram para dar uma satisfação. Não nos deram a mínima chance de nos mobilizarmos até para tentar comprar as passagens por meio de milhas. Não deram o mínimo valor a nós. Inclusive, isso já aconteceu outras vezes. Eles nos comunicaram em cima da hora, e ai ficamos de fora. Agora, não sei nem como motivá-los a participar de outros torneios. É triste”, desabou o técnico e mestre internacional da modalidade ao Portal Amazônia, acrescentando ainda que o Amazonas tinha “reais chances” de obter êxito e conquistar medalhas.

E a única explicação dada pela Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel) é que a atual gestão – aquela que entrou depois que Melo saiu expulsando todo mundo do PC do B -, cujo secretário é o médico e ex-jogador da seleção brasileira de vôlei juvenil – isso está escrito em seu perfil no site da Sejel – Antônio Eduardo Ditzel, é que tinha pouco recurso, mas já foi providenciado pelo governador José Melo (o professor) um aditivo para despesas com passagens aéreas. E o Radar pergunta:  será que esse pouco recurso não daria para ter comprado sete passagens aéreas (seis atletas mais o técnico)? Como é possível que uma secretaria de Estado e o próprio Governo não tenham crédito com uma agência de viagens para mandar expedir sete passagens aéreas e pagar depois? Desde quando é que o Poder Público começou a pagar passagem aérea a vista? Esse não é um preço muito pequeno para se recusar a pagar e deixar esses jovens com essa imensa carga de frustração?

E numa daquelas ironias do destino ainda se fica sabendo, através do mesmo perfil do secretário da Sejel, postado pomposamente no site da secretaria, que seu apelido é “Dr. Paraná”, mesmo destino onde os atletas iam competir – pelo jeito não fez jus ao apelido ao não apoiar os competidores. E nessa hora dá vontade de perguntar se não dava pro governador professor conseguir o dinheiro pra sete passagens aéreas, no mesmo lugar de onde vão sair os R$ 20 milhões para seu tal “Plano Estratégico de Campanha no Interior”. (Any Margareth)