“Então vai pra pu** que pa*** seu velho frouxo, fi*** da pu**”, teria dito o governador para Gilberto de Deus

melo e secretário

Acredito que todo mundo ficou se perguntando: o que teria acontecido no último encontro entre o governador e o ex-secretário de Infraestrutura do Estado, que teria magoado tão seriamente Gilberto de Deus – várias vezes durante a coletiva ele segurou o choro – pra faze-lo chamar o governador de “ex amigo José Melo” e revelar casos tão escabrosos de corrupção no Governo do qual ele fazia parte? Qual seria a “humilhação” pela qual o ex-secretário disse ter passado no dia da reunião com o governador e que ele não quis entrar em detalhes mesmo com a insistência dos jornalistas  – ver no final da matéria vídeo da entrevista coletiva com Gilberto de Deus do momento em que ele fala do governador.

Pois essas mesmas indagações foram feitas pelo Radar ao conseguir um contato com uma das pessoas mais próximas de Gilberto de Deus. Assim como o ex-secretário contou à imprensa, a estória realmente teria começado na Suhab onde Gilberto de Deus, após ter assumido, fez um levantamento da situação do órgão e entregou ao governador. Ele detectou casos de gente que não trabalhava há 30 anos e recebia salários de R$ 14 mil, em contradição com gente que sempre trabalhou e recebia salários baixíssimos.

Segundo o amigo de Gilberto de Deus – a quem ele chama carinhosamente de “De Deus”, ele queria separar o joio do trigo, demitindo apenas os maus funcionários e fazendo justiça com aqueles que trabalhavam. “Mas teve que enxugar pra valer a folha de pagamento por ordem do governador que apontou ter a necessidade de cortar custos por causa da crise econômica”, contou o amigo do ex-secretário. O resultado, teria sido que Gilberto de Deus teve que demitir cerca de 200 pessoas, até mesmo bons funcionários, gente que trabalhava sério e que ganhava pouco.

Com a saída de Waldívia Alencar da Seinfra, Gilberto de Deus foi o escolhido pelo governador Melo para assumir a pasta da Infraestrutura e teria agido do mesmo modo que na Suhab, fazendo um relatório da situação administrativa da secretaria e entregando-o ao governador. “E como no caso da Suhab, ele também recebeu o aval do governador pra fazer as mudanças”, diz a fonte do Radar, acrescentando: “mas isso foi num primeiro momento”.

Acontece que Gilberto de Deus teria começado a ser pressionado pra pagar construtoras por serviços que não estavam sendo realizados. E a pressão vinha exatamente de onde ele não esperava, da sede do Governo do professor Melo. Decepcionado, ele teria resolvido entregar a pasta, mas sem estardalhaço, de forma discreta.

Erro fatal

Mas o “bom e humilde” governador professor Melo teria cometido um erro fatal, erro esse que alguns políticos cismam em cometer: achar que todos os que estão a sua volta podem ser humilhados sem reagir. “No dia da passagem de cargo – de secretário de Infraestrutura para o então somente secretário da Região Metropolitana, Américo Gorayeb – que foi realizada na sede do Governo, Melo teria dito a Gilberto de Deus que ele teria sido “frouxo” ao não pagar as empreiteiras, tudo isso na frente do Gorayeb”, contou o amigo de “De Deus”.

E o governador teria ido além na prepotência ao ordenar que Gilberto de Deus voltasse para a Suhab. Mas não teria gostado nada ao ouvir um não como resposta. Gilberto de Deus disse que não aceitaria voltar para a Suhab onde teve que tirar o emprego até de gente que trabalhava, enquanto o dinheiro jorrava na Seinfra para os bolsos de empresários inescrupulosos. Nesse momento, segundo o relato do amigo “De Deus”, o Governador se levantou e falou: “Então vai pra pu** que pa*** seu velho frouxo, fi*** da pu**.”

Como resposta, Gilberto de Deus levantou-se e disse a Melo que o Governo dele terminava alí, porque ele iria denunciar tudo que estava acontecendo na Seinfra.

Na mala

“Ele foi à casa de um amigo. Acontece que o staff – sinônimo de paus mandados, né gente? – do governador descobriu onde ele estava e foi atrás dele. Se sentindo ameaçado, ele chamou um taxi e foi dentro da mala do carro até a Polícia Federal”, diz o amigo de Deus, explicando ainda que, na Polícia Federal, o ex-secretário entregou documentos e o relatório que havia produzido. “um delegado paulista que estava em Manaus por outro motivo foi quem pegou seu depoimento”. (Any Margareth)