Entidades sindicais não conseguiram mobilizar nem mesmo os sindicatos

O próprio secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna,reconheceu ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que “a ausência de categorias de peso como motoristas de ônibus e metroviários, que não pararam suas atividades em São Paulo, por exemplo, enfraqueceu o movimento Dia Nacional de Lutas”, realizado na quinta-feira passada (11) convocado por centrais sindicais de todo o País para cobrar do Governo e do Congresso Nacional avanços numa pauta de reivindicações que inclui o fim do fator previdenciário (que reduz as aposentadorias precoces), redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e mudanças nas regras de terceirização, além de reivindicações como 10% do PIB para a Educação, 10% do Orçamento para a Saúde, transporte público de qualidade e reforma agrária. Apesar do reconhecimento, Juruna disse que o objetivo principal do movimento foi atendido: “O que queríamos era fazer a mobilização e chamar atenção. E isso nós conseguimos”, disse o sindicalista. Mas, o fato de ter desconversado quando perguntado se a mobilização não foi abaixo do esperado pelas centrais sindicais, demonstrou claramente que eles esperavam cumprir a promessa de “parar algumas das principais capitais brasileiras”, o que positivamente não aconteceu. O sindicalista passou ao largo dos questionamentos sobre o número de pessoas que as centrais esperavam levar às ruas de São Paulo, a cidade mais industrializada e sindicalizada do País. Pelas projeções da Polícia Militar, cerca de duas mil pessoas estavam presentes no ato do Dia Nacional de Lutas, em São Paulo. Um número que contrasta com 100, 200 e até 300 mil pessoas nas ruas durante as manifestações populares mobilizadas por cidadãos comuns na internet. Pelo jeito, as manifestações do povo na rua, contra políticos e partidos, se estendeu para os sindicalistas. A desconfiança do povo também recaiu sobre eles. Os movimentos populares agora estão sendo convocados por populares, na expressão da palavra.

Antenados com a realidade

Em Manaus, houve jornalista (e não foram poucos) maximizando o movimento Dia Nacional de Lutas, realizado na quinta-feira passada (11) e falando que a cidade iria parar desde as primeiras horas daquele dia, com as ruas tomadas por milhares de pessoas, como já aconteceu antes. O pessoal do Radar ficou de pé atrás, ao ver pouca mobilização pelas redes sociais, atual “arma” dos ativistas do País. E também por fazer uma leitura da realidade que tem envolvido as centrais sindicais, e suas lideranças, numa mistura, que muitas vezes nem dá mais pra separar, com partidos políticos que estão no Poder e suas estratégias de convencimento das massas, que parecem não estar mais sob controle. O Radar tem captado mudanças de pensamentos, convic ções, formas de ver a política e sua influência sobre os segmentos sociais. O povo parece ter descoberto que não precisa ser teleguiado por líderes sindicais ou políticos para botar o pé na rua e soltar o grito da garganta. E agora, assim como os movimentos populares se reinventaram, quem se acha liderança popular, vai ter que se reinventar sob risco de ficar solitário, sem eira e nem beira, e sem voto. Quem viver verá!

Relação de cumplicidade

E não vai ser o Radar que vai dizer que o povo não tem razão em suas desconfianças sobre a relação de cumplicidade entre sindicalistas e partidos políticos. Afinal, qual é o jornalista que pode dizer que não sabe de sindicalistas (com exceções é lógico), seus parentes (e até aderentes) que ocupam cargos públicos dados em troca de apoio em campanhas políticas. Quem de nós não consegue entender o discurso de determinados sindicalistas em apoio a certos administradores públicos, com rasgados elogios em que esses políticos só faltam ser chamados de “pai da classe trabalhadora”. E, num país, em que muitos sindicalistas ficaram com a cara do patrão, o povo tem demonstrado que não tem nenhum interesse em ser o empregado, e servir aos interesses deles de se tornarem os midiáticos e poderosos salvadores da Pátria.