Erros, dúvidas, demissões. Morte de jovem Debanhi Escobar choca o México

Reprodução Twitter

O desaparecimento de Debanhi Escobar, uma jovem de 18 anos que esteve desaparecida durante duas semanas antes de ser encontrada morta na semana passada, continua a expor os graves problemas do México em lidar com a preocupante onda de desaparecimentos de mulheres, especialmente no estado de Nuevo León e na segunda maior cidade do país, Monterrey.

Debanhi Escobar desapareceu no dia 9 de abril. Imagens divulgadas na quarta-feira pelo motel Nueva Castilla, o último local onde Escobar foi vista com vida, mostram a jovem correndo e aparecendo no restaurante fechado do estabelecimento hoteleiro.

A jovem havia estado numa festa com dois amigos em Escobedo, no estado de Nuevo León, no norte do México, mas após um desentendimento, teria saído sozinha e entrado num carro de um serviço de transportes.

A interação com o motorista também não teria corrido bem e, por volta das 5h, Debanhi Escobar saiu do carro e nunca mais foi vista até à confirmação da sua morte.

Escobar foi encontrada depois de 13 dias, dentro de uma cisterna abandonada, a quatro metros de profundidade, perto do motel onde foi vista pelas câmeras de vigilância.

Investigação repleta de lacunas

A história do desaparecimento de Debanhi Escobar está envolta em mistério e, acima de tudo, dúvidas. Segundo o El País, a investigação ao ‘caso Debanhi’ está demonstrando uma vez mais os vários erros à forma como os feminicídios e os desaparecimentos no México estão sendo tratados.

Primeiro, as imagens das câmeras de vigilância do motel Nueva Castilla foram sendo lançadas aos poucos pelas autoridades de Nuevo León, mas apenas depois de muita pressão popular e nos meios de comunicação social.

Onde de feminicídios varre o México

A morte de Debanhi Escobar é tudo menos incomum. Os desaparecimentos no México, muitas vezes ligadas ao narcotráfico, são um problema que foi apontado recentemente pela Organização das Nações Unidas este mês – as autoridades mexicanas apontam para cerca de 98 mil desaparecimentos desde 1964.

Mas os números estão crescendo muito rapidamente, e especialmente nas mulheres.

Segundo a BBC, citando dados do governo mexicano, desaparecem em média nove mulheres por dia. O estado de Nuevo León e a capital regional, Monterrey, são o epicentro da recente onda de homicídios e desaparecimentos: no início de abril, desapareceram oito jovens em apenas dez dias na cidade.

A BBC também cita dados do governo estatal de Nuevo León, que apontam que, até ao dia 17 de abril, desapareceram este ano 327 mulheres – 33 continuam desaparecidas e cinco apareceram sem vida (excluindo Debanhi Escobar).

Antes de Escobar, foi a morte de María Fernanda Contreras, de 27 anos, a motivar protestos feministas por todo o país, pedindo às autoridades por mais proteção e ação contra os feminicídios.

A morte de Debanhi Escobar é tudo menos incomum. Os desaparecimentos no México, muitas vezes ligadas ao narcotráfico, são um problema que foi apontado recentemente pela Organização das Nações Unidas este mês – as autoridades mexicanas apontam para cerca de 98 mil desaparecimentos desde 1964.

Mas os números estão crescendo muito rapidamente, e especialmente nas mulheres.

Segundo a BBC, citando dados do governo mexicano, desaparecem em média nove mulheres por dia. O estado de Nuevo León e a capital regional, Monterrey, são o epicentro da recente onda de homicídios e desaparecimentos: no início de abril, desapareceram oito jovens em apenas dez dias na cidade.

A BBC também cita dados do governo estatal de Nuevo León, que apontam que, até ao dia 17 de abril, desapareceram este ano 327 mulheres – 33 continuam desaparecidas e cinco apareceram sem vida (excluindo Debanhi Escobar).

Antes de Escobar, foi a morte de María Fernanda Contreras, de 27 anos, a motivar protestos feministas por todo o país, pedindo às autoridades por mais proteção e ação contra os feminicídios.

Mas a resposta tem desiludido os grupos e ativistas do México. Por exemplo, o secretário de segurança do estado de Nuevo León, Aldo Fasci, criou alguma polêmica depois de responder a petições, que pediam mais ação contra raptos de mulheres por grupos de crime organizado, afirmando que as jovens desaparecem porque cortam relações com os pais.

Narcotráfico na base da violência

Os desaparecimentos andam de mãos dadas com os homicídios e, na gênese dos dois fenômenos, está o crime organizado e o narcotráfico.

Mariana Limón Rugerio, especialista em comunicação com perspectiva de gênero em Monterrey, contou à BBC que 72% dos feminicídios ocorridos entre janeiro e março de 2022 estavam ligados ao narcotráfico.

“É uma violência intercalada com outras violências, que não foram entendidas nem pelas autoridades, nem pela opinião pública, nem pela agenda feminista, que está muito centralizada na Cidade do México [a capital do país] onde não ocorrem estas características que vemos nos estados fronteiriços”, explicou.