Escutas telefônicas da PF flagraram corrupção eleitoral com uso da PM; coronéis intimados

Eliézio e documentoNa campanha à reeleição do governador José Melo, em 2014, foram feitas escutas telefônicas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça. Nelas, oficiais da Polícia Militar do Amazonas que não sabiam que suas conversas estavam sendo gravadas foram flagrados dando ordens aos seus subordinados para praticarem corrupção eleitoral. Esse é o teor da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 195816/2014, determinada pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), cuja tramitação aparece em tela capturada pelo Radar no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Pela descrição do teor dos documentos em tela, nota-se o grau de gravidade das provas encontradas na investigação: “Documento Retornado da PRE/AM com promoção e com pacote lacrado sigiloso”. Mas, apesar do sigilo já vazaram informações de que as provas existentes nos autos levam a mais um processo de cassação do governador por abuso de poder econômico e político e o uso do aparelho policial do Estado em seu favor nas eleições de 2014.

Como dá pra visualizar na tela de movimentação do processo, no dia 15 de janeiro foram “expedidos mandados de intimação aos investigados Eliézio Almeida da Silva e Aroldo da Silva Ribeiro”, coronéis da PM que na época da campanha do governador à reeleição ocupavam os cargos de comandante e subcomandante da Polícia Militar, respectivamente. Na época, por decisão do desembargador Mauro Bessa, acatando manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), os dois oficiais foram afastados do cargo por abuso de poder político.

Em sua decisão o desembargador Mauro Bessa acatou o pedido de afastamento pela PRE considerando que “a conduta dos comandantes configurava em ameaça concreta à lisura das eleições” e que havia “a demonstração da plausibilidade de que a máquina administrativa foi usada” e ainda poderia ser usada “de modo a desestabilizar o pleito eleitoral”.

Escutas e comando

As informações que chegaram ao Radar sobre as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e feitas pela Polícia Federal, e que fazem parte da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), são de que foram pegos nas gravações telefônicas os oficiais da PM: Coronel Marcos James Frota Lobato –  atual Comandante Geral da Polícia Militar; Coronel Roosevelt; Coronel Everton Souza; Coronel Berilo Bernardino de Oliveira; Coronel Marcos Brandão; Coronel Paulo Roberto Vital; Coronel Eliézio Almeida.

Nas escutas foram gravadas as mais diversas ordens de comando desses oficias para policiais de patente inferior para que praticassem atos ilícitos.  O relatório anexado junto com as provas descreve as ilicitudes: Liberação de ônibus apreendidos transportando eleitores de José Melo; Embaraço no deslocamento de eleitores do candidato adversário (Braga); Utilização de veículos oficiais em favor da campanha do Governador José Melo, Coação de Policiais Militares, sob pena de perda de função, remoção ou transferência; Designação de Policiais Militares para municípios do interior onde o governador foi derrotado no primeiro turno das eleições, com objetivo de reverter o resultado (a qualquer custo); Liberação de pessoas da campanha de José Melo detidas por compra de votos;  tentativa de apreensão de material de campanha do adversário; e por último, talvez as mais sérias acusações que recaem sob a campanha do governador: “Um esquema preparado e organizado para a prática de corrupção eleitoral, bem como a utilização de aparato da segurança pública para escoltar e dar apoio logístico no transporte e distribuição de numerário (dinheiro), possivelmente para pagamento de despesas eleitorais não contabilizadas”. (Any Margareth)