Essa disputa pelo poder é de Deus?

A disputa pela liderança da maior denominação evangélica do País, a igreja Assembléia de Deus, teve atos nada sagrados durante os últimos meses. O que se viu foram dois grupos em conflito, um do pastor José Wellington e outro do pastor Samuel Câmara, usando estratagemas políticos que não deixaram nada a dever a qualquer processo eleitoral, e dos mais ferrenhos, onde valia fazer de tudo pra vencer. Teve até vídeo gravado pipocando na imprensa local com gritarias, bate-boca e confusões.

Venda de tudo

Ontem (11), uma matéria da Rede Globo de Televisão trouxe imagens nada agradáveis de se ver em se tratando de uma disputa religiosa. Cabos eleitorais gritavam como loucos, números e propostas dos candidatos, minishoppings instalados em imensas tendas com venda de tudo, bíblias, púpitos, paletós, denominados na matéria de “segunda pele” dos pastores, redes (o vendedor comemorava ter vendido 150 unidades cada uma a R$ 10). Um clima de mercado, que me lembrou até uma passagem bíblica onde Jesus chicoteia homens que colocaram bancas e comercializavam produtos dentro do templo: “E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os q ue vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
13 E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.(Matheus, cap. 21)

Disputa estúpida

E mais uma disputa de Poder me causou sentimentos nada agradáveis diante de uma “guerra” inútil, desnecessária, sem sentido, estúpida mesmo. Onde homens utilizam “armas” tão poderosas que poderiam estar a serviços de causas nobres. Um usa palavras grafadas em papel jornal (dois instrumentos de grande poder de destruição, a palavra e o jornal), e o outro, a tribuna de um Parlamento, a Casa do Povo (instrumento não menos poderoso) para digladiar em público. O que corre por toda a cidade (e pelas redes sociais é lógico) que os interesses envolvem dinheiro e favores, que inclusive já começara a ser expostos agora que a disputa já virou escárnio público. E eu pergunto, pra quê? O que faz os homens exporem suas famílias, seus nomes e suas histórias de vida? Porque não usam seus escudos e suas armas de “grandes homens poderosos” para ver que o povo sofre com as mais diversas dificuldades enquanto eles disputam um troféu de latão? Por que não vão à Justiça, entregam as provas das acusações mútuas e deixam a Justiça se manifestar sem interferências externas e se quedam ao Estado de Direito?

Arena armada

E também é nada agradável ver gente que armou a “arena” porque quer ver sangue. Quer ver vísceras expostas não importando se há mulheres e crianças em meio ao público. E aí lembrei da minha velha mãe cabocla, mas sábia, que me dizia: “Quanto mais conheço os humanos, mais amo os bichos”. Sábia palavras!