Estudos cogitam o uso de resíduos vegetais carbonizados de frutos amazônicos para gerar eletricidade

caroço tucumã

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Pesquisadores analisaram a possibilidade de transformar matéria orgânica (biomassa) de espécies arbóreas em fontes energéticas renováveis e ambientalmente viáveis e constataram que resíduos vegetais carbonizados obtidos a partir de frutos nativos da floresta Amazônica como a macaúba, o tucumã e o cupuaçu possuem viabilidade tecnológica para serem convertidos em energia elétrica natural, ou seja, podem ser usados para produção alternativa de eletricidade em sistemas isolados da Amazônia.

O projeto “Carbonização e gaseificação de resíduos da macaúba, tucumã e cupuaçu para geração de eletricidade” foi desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas (RH-Doutorado – Fluxo Contínuo), edital Nº 001/2014. O estudo foi publicado na Revista Interdisciplinar de Pesquisa em Engenharia e no International Journal of Mechanical Engineering and Automation.

Biomassa

Carvões

Carvões       /Foto: Divulgação

É definida como qualquer matéria orgânica de origem vegetal ou animal. No vegetal, destacam-se os resíduos agrícolas como, cascas de frutos, palha, bagaço de cana, cascas de arroz e café entre outros, com grande potencial para a produção de energia, biocombustíveis e outros produtos químicos.

Existem algumas tecnologias utilizadas para transformar biomassa em energia elétrica. Nesse estudo, os pesquisadores utilizaram processos termoquímicos conhecidos como carbonização e gaseificação de resíduos, para produzir a partir dos insumos naturais, dois produtos: o carvão vegetal e o gás de síntese (mistura combustível de gases a partir de processos térmicos).

A conversão dos resíduos agrícolas em  vetores energéticos, como o carvão vegetal e o gás de síntese, podem alimentar motogeradores para produção de energia elétrica. A tecnologia desenvolvida permite a utilização dos equipamentos já instalados e até mesmo o uso conjunto com combustíveis fósseis atualmente utilizados, como o óleo diesel, dispensando investimentos em novos equipamentos. 

Aproveitamento

Como resultado, os pesquisadores obtiveram carvões vegetais esféricos íntegros de boa resistência mecânica. Nenhum elemento nocivo para o uso humano foi encontrado, ou seja, não possui elementos radioativos ou tóxicos presentes na composição dos carvões estudados. O gás produzido a partir do carvão habilita seu uso em motores de combustão interna e consequente uso na produção de eletricidade. Também pelas características físicas e químicas observadas, percebe-se uma oportunidade de uso na indústria siderúrgica, pelo alto teor de carbono encontrado, principalmente nos carvões de tucumã e macaúba. E na indústria da purificação de água para consumo humano, devido a excelente adsorção de matéria orgânica obtida com o uso dos carvões ativados a partir da casca de cupuaçu.

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Para casca do cupuaçu podem ser produzidos até 8,1  de carvão por hectare, o que representa um potencial de produção de 6,2 ℎ de eletricidade, para cada hectare colhido da fruta, considerando as condições típicas do bioma amazônico. Os resíduos da macaúba podem produzir até 1,4 ℎ enquanto os do tucumã até 1,1 ℎ, considerando a mesma área de colheita, ou seja, um hectare. Estes resultados, quando comparados com outras biomassas, mostram um  grande potencial energético  e uma oportunidade de agregação de valor a culturas típicas da região.

Para o coordenador da pesquisa, Fábio Lisboa, a região Amazônica é uma grande fonte de recursos naturais provenientes de biomassa residual, que podem ser aproveitados na produção de energia elétrica, nos processos siderúrgicos e de tratamento de água, potencializando o desenvolvimento econômico regional, com o uso de tecnologias adaptadas localmente conforme suas características ambientais e agrícolas.

“O uso destes recursos pode representar um diferencial de custo importante, maximizando a lucratividade das atividades econômicas desenvolvidas localmente e reduzindo impactos ambientais”, disse Fábio Lisboa.

(*) Informações da assessoria