Ex-diretores da Manausprev teriam desviado cerca de R$ 70 milhões da previdência municipal

Após denúncia de uma ex-funcionária da Manaus Previdência (Manausprev) ao Ministério Público de Contas (MPC), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) decidiu formar uma força-tarefa para averiguar o desvio de mais de R$ 70 milhões da previdência municipal, gastos em esquema semelhante ao de pirâmide, formado por empresas de fachada. As aplicações ilegais teriam sido realizadas por ex-diretores do órgão.

Segundo fontes do Radar, a ex-funcionária que fez a denúncia dos desvios de recursos públicos da previdência municipal tinha acesso aos documentos do órgão, como por exemplo contas e investimentos realizados. Ela entregou ao MPC, levantamentos contábeis que demonstram que o ex-diretor Sandro Breval, da gestão do ex-prefeito Serafim Correa aplicou R$ 43 milhões e, a ex-diretora Daniele Leitte, – esposa do deputado estadual Sidney Leitte (PROS), na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), aplicou R$ 28 milhões.

De acordo com o procurador geral Carlos Alberto Souza de Almeida, os R$ 43 milhões foram aplicados em 2008 no Fundo Quatá (fundo de investimento de renda fixa a longo prazo de crédito privado), valor que não foi devolvido aos cofres públicos.  O outro investimento, no valor de, aproximadamente, R$ 28 milhões, também foi realizado pelo órgão previdenciário, sem retorno.

Conforme a fonte do Radar, esse fundo era formado por empresas privadas fantasmas que eram comandadas por laranjas e que agiam como um esquema de pirâmide. Essas empresas privadas se juntaram a Manausprev para as aplicações dos recursos e depois faliram sem dar retorno à previdência municipal. Ainda segundo a fonte, após a falência das empresas a prefeitura só conseguiu o retorno de R$ 80 mil e a previdência municipal ficou com um rombo de milhões em seu caixa.

“Precisamos analisar se esses investimentos foram realmente benéficos para a Administração Pública. Os dados não estão disponíveis e não sabemos onde os recursos foram efetivamente aplicados. A questão ainda está obscura e precisa ser esclarecida”, comentou Carlos Alberto.

Vale ressaltar que em maio de 2016, o colegiado do TCE reprovou as contas do Manausprev, referente ao exercício de 2008. Na ocasião, os gestores foram condenados a devolver aos cofres públicos R$ 43,6 milhões, entre multas, glosas e alcance.