Ex diz que nunca desconfiou de suposto serial killer: 'É um sedutor'

exUma universitária, que preferiu não se identificar, afirma que manteve um relacionamento extraconjugal por seis meses com o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, apontado como o autor de 39 assassinatos em Goiânia. Ela conta que nunca desconfiou das atitudes do motociclista. “Eu só achava estranho ele ser caladão, mas não imaginei que pudesse ser um serial killer. Ele é um sedutor”, disse.

Segundo a mulher, Tiago sempre foi muito carinhoso e atencioso. A universitária conta que o jeito misterioso do suspeito a atraiu. “O Tiago tem um ponto de interrogação quando a gente olha pra cara dele. Ele é um enigma. Aquele jeito sério. E além de tudo, é bonito”.

Caso Tiago seja realmente o serial killer que matava mulheres em Goiânia, ele também poderia ter usado seu carisma para conseguir atrair as vítimas, segundo a universitária. “Ele conseguiria seduzi-las e levar para um local para matar. Se o prazer dele fosse seduzir essas mulheres, levar, manter uma relação sexual e depois matar, ele conseguiria, porque ele é um homem atraente”, afirma.

Durante as relações sexuais, algumas atitudes do vigilante a intrigavam, mas não a ponto de desconfiar que ele pudesse ser um criminoso. “Não tinham coisas mirabolantes ou diferentes que pudesse detectar que ele era um maníaco. Ele ficava muitas vezes de olho fechado. Eu não entendia e ele dizia que era por causa da claridade”, relembra. Ainda segundo a universitária, Tiago cobria o rosto dela com os cabelos dela durante o ato.

Para o psicólogo forense Leonardo Faria, que será o responsável por traçar o perfil do suspeito, essa ação durante as relações sexuais pode indicar algum remorso. “O fato de tampar os olhos ou tampar o próprio rosto pode ser um comportamento de repulsa frente a algo que ele fez anteriormente. Se foi um ato sexual, o comportamento de tampar os olhos pode ser um sentimento de culpa, de remorso ou até de arrependimento de ter tido aquele prazer”, explica.

Crimes

O vigilante foi preso na Avenida Castelo Branco, na terça-feira (14). Em seguida, ele foi encaminhado à Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), onde prestou depoimento e, de acordo com a polícia, confessou ter matado 39 pessoas desde 2011.

Entre as vítimas estão 15 dos 17 crimes investigados inicialmente pela força-tarefa da Polícia Civil. Os outros assassinatos seriam contra homossexuais e moradores de rua.

O primeiro crime da série de assassinatos contra mulheres ocorreu em 18 de janeiro deste ano, quando Bárbara Luiza Ribeiro Costa, de 14 anos, foi executada por um motociclista no Setor Lorena Park. A morte mais recente foi a de Ana Lídia Gomes, em um ponto de ônibus do Setor Morada Nova, em 4 de agosto.

Dois dos crimes apurados pela força-tarefa não foram assumidos pelo vigilante: a morte de Danielly Garmus da Silva, 23 anos, e a tentativa de homicídio de Daiane Ferreira de Morais, 18. Entretanto, ele confessou outras duas mortes de mulheres que eram apurados de forma independente e, após a confissão, a polícia os incluiu nas investigações. São os homicídios de Arlete dos Anjos Carvalho, 16, e de Edimila Ferreira Borges, 18.

Com medo de ser detido, Tiago revelou que interrompeu a sequência de mortes após o homicídio de Ana Lídia Gomes, de acordo com o delegado Alexandre Bruno Barros. “Ele disse que parou porque ficou com medo de ser pego, por causa da força-tarefa. Depois voltou no domingo [12] porque não aguentou mais, tinha que extravasar a raiva”, disse o delegado.

Segundo a Polícia Civil, o jovem também foi identificado em imagens registradas por câmeras de segurança no dia 12, próximo à lanchonete em que uma mulher foi agredida por um motociclista. O caso foi incluído na força-tarefa. Segundo testemunhas, o motociclista de capacete vermelho atirou na jovem, mas a arma falhou. Então, ele deu um chute na boca dela.

A polícia divulgou um vídeo no qual o vigilante explica onde conseguiu o revólver usado nos crimes. Questionado pelo delegado sobre o número de armas que ele possuía, o suspeito respondeu que “só uma”. “Que eu furtei em uma empresa onde trabalhei”, disse Tiago.
Na quinta-feira (16), a Polícia Técnico-Científica afirmou que os resultados de exames de balística da arma apreendida com Thiago coincidiram com os disparos efetuados em seis homicídios na capital.

‘Raiva’

Segundo os delegados que interrogaram o vigilante, Tiago tinha o costume de assistir aos noticiários no dia seguinte aos seus crimes para ter certeza se a vítima tinha morrido e qual o nome da pessoa. No entanto, ele diz que sentia remorso ao ver as reportagens. “Feliz não. Era um sentimento de arrependimento”.

Em entrevista na tarde de sexta-feira (17), o vigilante afirmou que gostaria de pedir desculpas à mãe dele e às famílias das vítimas pelos crimes que cometeu. Ele não respondeu se acredita ser doente mental, mas falou em “arrependimento” e afirmou querer um tratamento médico para se livrar do que ele define como “sentimento de raiva”.

Prisão

De acordo com o superintendente de polícia judiciária de Goiás, delegado Deusny Aparecido, antes de ser capturado, a polícia não tinha o nome do suspeito, mas já sabia de todas as suas características físicas.

Assim, no dia 10, foi emitido um mandado de prisão temporária para um “homem branco, com idade aproximada de 25 anos, aproximadamente 1,87 metro de altura, compleição física atlética, sem barba ou bigode, com pelos no peito, rosto afilado, cabelos pretos, curtos e lisos e sobrancelhas grossas, que normalmente se veste bem”. O mandado também descreve que o suspeito usava capacete e motocicleta de cor preta com placa adulterada.

No ano passado, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra o vigilante por furtar uma placa de uma motocicleta no estacionamento de um supermercado de Goiânia. Imagens de câmeras de segurança mostram ele cometendo o crime. Também no ano passado, ele foi preso em flagrante em uma motocicleta com placa roubada, mas foi solto. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial.

Fonte: G1