Ex-ministro Ernesto Araújo presta depoimento na CPI da Covid

Foto: metrópoles

A CPI da Covid ouve, nesta terça-feira (18/5), o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Com sessão marcada para às 9h, os senadores querem explicações sobre a condução da diplomacia brasileira durante a pandemia, com foco na relação do Brasil com a China e nas negociações para compras de vacina.

O ex-ministro de Bolsonaro também deve ser questionado sobre a viagem a Israel para tratar de um possível acordo de cooperação entre o Brasil e a empresa que desenvolve um spray nasal contra a Covid-19.

A viagem, realizada em março deste ano, custou ao menos R$ 88,2 mil aos cofres públicos e não resultou em parceria, segundo o Ministério das Relações Exteriores informou à bancada do PSol na Câmara, que pediu explicações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Araújo deixou o Itamaraty no fim de março deste ano, sob forte desaprovação de empresários e parlamentares. Entre as questões que levaram a tamanha rejeição, estão o alto teor ideológico da gestão do ex-ministro, a subserviência ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e as reiteradas críticas à China, maior parceiro comercial brasileiro.

O país asiático é também o maior fornecedor de insumos para a produção de imunizantes no Brasil, por meio da parceria entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, para a fórmula da Coronavac. A chegada dessa matéria-prima para fabricação de vacinas tem sofrido atrasos, e muitos atribuem essa dificuldade à relação estremecida do Brasil com a China.

Outros depoimentos

O depoimento de Pazuello está marcado para ocorrer nesta quarta-feira (19/5). A oitiva seria no último dia 5, mas, após ele alegar ter tido contato com dois servidores infectados pela Covid-19, foi adiada.

Na última semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de silêncio do ex-ministro. O ministro-relator Ricardo Lewandowski deferiu parcialmente o pedido — Pazuello pode se calar quando algo incriminá-lo, mas não deve se calar quando for perguntado sobre terceiros.

Na quinta-feira (20/5), a comissão ouve a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, que também ingressou com habeas corpus.