Ex-prefeita de Anori tem contas reprovadas e é condenada a devolver quase R$ 1 milhão

A ex-prefeita de Anori, Sansuray Pereira Xavier, terá de devolver quase R$ 1 milhão aos cofres públicos. A decisão unânime foi tomada pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) durante a 29ª sessão ordinária, realizada na manhã desta quarta-feira (22). O pleno do TCE também reprovou as contas da ex-prefeita, referentes ao exercício de 2011. A gestora, assim como os gestores dos demais processos julgados, pode recorrer da decisão.

Entre as impropriedades identificadas pelo corpo técnico da corte de Contas estão atrasos na entrega da prestação de contas anual, pagamentos a professores em montantes abaixo do piso nacional estabelecido pelo Ministério da Educação, a não apresentação de documentos que comprovassem a realização de obras de engenharia realizadas pela prefeitura de Anori, em 2011.

Segundo o relator do processo, auditor Mário Filho, foi identificada, ainda, prática de nepotismo, devido a nomeação do servidor Carlos Cezar de Andrade em 2011 para o cargo comissionado de diretor do Departamento de Serviços Sociais, sendo ele irmão do Secretário de Administração, Paulo César de Oliveira Andrade. Tal prática é vedada pela Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal, que trata sobre as proibições para nomeação de cônjuges, companheiro ou parentes em cargos públicos.

Ainda durante a sessão, foram desaprovadas as prestações de contas de 2015 dos ex-diretores do Serviço de Água e Esgoto de Iranduba, Paulo Denilson de Queiroz (diretor de janeiro à setembro) e Eduardo Willian Borges Duarte (responsável pelos meses de setembro a dezembro).

Em decisão unânime, os conselheiros decidiram pela aplicação de multa a Paulo Denilson Queiroz no montante de R$ 8,7 mil e alcance de R$ 76,3 mil, a serem devolvidos aos cofres públicos, devido a aluguéis de veículos sem a comprovação de uso dos mesmos, contratações sem licitação, além de inobservâncias de critérios expostos na Lei de Licitações e Contratos, entre outras irregularidades.

Também em decisão unânime, Eduardo William Borges Duarte terá de devolver aos cofres públicos R$ 8,7 mil, também por irregularidades em contratos e na prestação de contas do exercício. Os valores, em ambos os casos, devem ser recolhidos na esfera Municipal para a Prefeitura Municipal de Iranduba no prazo de 30 dias.

Além das multas, o Tribunal Pleno determinou, ainda, que o Serviço de Água e Esgoto de Iranduba crie um controle interno mais eficaz, com a implantação de um novo sistema de ponto que comprove a efetiva atividade dos servidores, e providencie com antecedência os certames licitatórios, observando o disposto no artigo 24 da Lei federal 8.666/93.

Representações

Durante a 29ª sessão ordinária, foram julgadas procedentes duas representações de irregularidades e outras duas representações de medidas cautelares. Entre os pedidos cautelares aceitos está a declaração de invalidez do Edital 001/2017 do município de Santo Antônio de Içá, que trata sobre a contratação de ao menos 197 funcionários para os cargos de agentes comunitários na prefeitura, além de aplicação de multa ao prefeito Abraão Magalhães Lasmar em R$ 10,9 mil, devido a irregularidades contidas na execução do Edital.

Uma outra medida cautelar determina que o prefeito de Tabatinga, Raimundo Carvalho Caldas, providencie um plano de ações de programas de policiamento florestal e de brigada de combate a queimadas, com prazo de 30 dias para que encaminhe ao TCE documentos que comprovem a realização das determinações.

Ainda durante a sessão, o tribunal pleno determinou que a prefeitura de Presidente Figueiredo atualize no Portal da Transparência da prefeitura os relatórios resumidos de Execução Orçamentária e Relatório de Gestão Fiscal, e recomendou à prefeitura que realize audiências públicas visando incentivar a população a participar da elaboração dos planos e leis de diretrizes orçamentárias, e que a prefeitura reveja o layout das páginas de Transparência do município, objetivando remover ambiguidades de informações que possam gerar dúvidas ao usuário.

Em uma última representação aceita, o pleno determinou que o diretor-presidente da Fundação Hemoan não prorrogue o contrato de funcionários temporários que ainda sem encontram nos cargos, e que não mais realize contratações temporárias, considerando a vigência do concurso público da SUSAM homologado em 2015. O pleno determinou, ainda, que o diretor-presidente proceda pela substituição dos servidores temporários por candidatos aprovados no concurso público, sob a pena de aplicação de multas previstas na lei nº 2.423/96 e no regimento interno do TCE-AM.

As sessões são realizadas semanalmente no plenário no TCE, localizado no 2º andar do prédio anexo (prédio dos gabinetes dos conselheiros). A próxima sessão será realizada no dia 29/8 (terça-feira), à partir das 10h.

Fonte: Decom/TCE
Fotos: Ana Cláudia Jatahy)