Ex-secretária da Susam assinou processo indenizatório de mais de R$ 800 mil um ano depois do pagamento ter sido feito

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A ex-secretária executiva da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Maria de Belém Martins, revelou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, nesta terça-feira (4), que assinou um processo indenizatório de mais de R$ 800 mil à empresa Norte Serviços um ano depois do pagamento ter sido realizado.

Ao ser questionada sobre ter assinado o processo indenizatório de prestação de serviços voltados para tratamentos contra Câncer de Útero, orçado em R$ 837 mil, em 2017, ela afirmou que se tratava de uma “situação impossível”, já que estava afastada na época por motivos familiares.

A ex-secretária revelou que não foi a responsável por autorizar a liberação da verba no período de prestação dos serviços e que só assinou o documento um ano depois após ser contatada pela assistente administrativa do setor financeiro da Susam, que informou ser o protocolo padrão para arquivamento.

Apesar de contar com o suporte técnico do gabinete durante sua gestão, a ex-secretária afirmou que a existência de processos indenizatórios era comum dentro da Susam. Na época,  ao assumir o cargo ela contou que foi alertada a “ter cuidado com o que assinaria”. Além disso, revelou que não possuía autonomia suficiente para autorizar pagamentos.

“Parece que quem coordena o orçamento da Susam é a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz)”, justificou Maria de Belém Martins.

Diante dos relatos, os membros da Comissão questionaram a atuação da ex-secretária e o cuidado na análise dos processos encaminhados.

Em resposta, Maria de Belém declarou que “era humanamente impossível ler todos os processos que chegavam ao gabinete”, e por isso, encarregava a assessoria de analisar os processos e, então, avaliava e dava o aval de pagamento.

Ligação com a empresa Norte Serviços

O presidente da CPI, Delegado Péricles, questionou se a ex-secretária executiva conhecia o proprietário da empresa e se tinha favorecido algum processo de pagamento à Norte Serviços.

De acordo com a ex-servidora, ela acredita ter sido apresentada ao dono, identificado como “Sr. Frank”, por uma senhora chamada Ligia Loiola, já falecida.

“Eu nunca favoreceria pagamento pois tenho princípios cristãos, sou adventista desde meus 12 anos”, justificou.