Ex-secretário da Susam autorizou exames superfaturados pagos à Norte Serviços realizados no barco”Todos pela Vida”

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), descobriu que o ex- secretário adjunto de atenção especializada do Interior da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Edivaldo da Silva, foi o responsável por determinar a realização dos exames de Colposcopia e Conização, em 91 mulheres, pela empresa Norte Serviços Médicos LTDA, por meio de mais um processo indenizatório. Durante o depoimento à CPI nesta segunda-feira (3), Edivaldo revelou que assinava a execução do serviço mesmo não estando presente no local.

Os serviços foram feitos no barco do projeto “Todos Pela Vida”, em 2017, ano em que o Amazonas teve três governadores. Os atendimentos foram realizados nos municípios de Envira, Ipixuna e Guajará. Ao ser questionado como ele tinha o controle da prestação de serviços à distância, o ex-secretário alegou que um médico da unidade móvel de saúde também atestava a execução dos serviços.

“O médico que estava lá, me mandava o nome das pessoas o relatório, que foi feito né? E a gente avaliava, o próprio prefeito tinha conhecimento de tudo. Não é uma coisa aleatória” , tentou justificar Edivaldo.

No entanto, o presidente da CPI, deputado delegado Péricles (PSL) apresentou um documento no qual consta apenas a assinatura do então secretário e do representante da empresa Norte Serviços ,sem nenhuma outra pessoa atestando a execução dos serviços.

Diante das evidências, Edivaldo da Silva mudou versão e afirmou que assinou a prestação de serviços após ter acesso a um relatório – que não foi apresentado à CPI. Ainda segundo o ex- secretário adjunto de atenção especializada do Interior, na Unidade de Saúde Móvel não havia nenhum técnico da Susam que pudesse fiscalizar a terceirização dos atendimentos.

Todos Pela Vida

De acordo com o relatório apresentado pela Norte Serviços e assinado pelo ex- secretário adjunto de atenção especializada do Interior, Edivaldo da Silva, 91 mulheres realizaram os exames que custavam, na época, R$ 8.680,00mil por paciente. No entanto, a nota fiscal do serviço aponta que 100 mulheres realizaram os exames, nove a mais do que consta no relatório da empresa Norte Serviços.

Os membros da CPI questionaram o ex-secretário a respeito de quem havia dado a ordem ou a orientação para que ele assinasse o documento. Em resposta, Edivaldo da Silva disse não ter recebido ordem para assinar.

“Peraí senhor, com todo respeito, mas é a sua assinatura que está lá (no documento). Temos que ter zelo com a verba pública. Você mais do que ninguém tinha a capacidade de matar a charada na hora. Mais do que um simples economista ou um advogado , porque o senhor atestou os serviços. Quero entender é quem chegou esse preço”, questionou o deputado Wilker Barreto.

Em resposta, o ex-secretário assumiu o erro e afirmou não ter se “atentado ao número”.

“Sinceramente eu não vi esse negócio de 100 para 91, então eu assinei. É a minha letra mesmo, eu assumo meu erro, mas ninguém me mandou, eu pensei que a coisa estava correta”, disse Edivaldo.