Ex-secretário de Melo confirma o que o Radar vinha dizendo: empreiteiras que financiaram campanha do governador recebem dinheiro por obras que não existem (ver vídeos)

Ponte e Placa

Há meses o Radar vem questionando que, contraditoriamente, em meio ao repetitivo discurso de crise e de falta de recursos para investir em áreas como educação e saúde, no Governo do professor Melo não tem faltado dinheiro para construtoras, algumas delas que foram suas financiadoras de campanha. E a confirmação de que existia algo de muito errado nessa relação do Governo do professor com as empreiteiras veio ontem através das declarações do ex-secretário de Infraestrutura do Estado, o engenheiro civil Gilberto Alves de Deus.

Em entrevista coletiva à imprensa, nessa sexta-feira, ele revelou um esquema de corrupção nas obras do Governo do professor Melo (PROS) que já teria custado mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos. Gilberto de Deus começou a entrevista lembrando de sua passagem pela Suhab, onde ele garante que a secretaria foi reorganizada, que tinha gente que ganhava R$ 14 mil sem trabalhar e foi demitida, mas também “tinha gente que ganhava menos e que trabalhava, e também foi demitida”.

O ex-secretário deu a entender que é por causa dessas injustiças que resolveu falar: pessoas que trabalhavam e dependiam daquele salário, mas foram demitidas; policiais militares que querem promoção e não tem dinheiro. “Como não tem dinheiro se na Seinfra tão derramando dinheiro, pagando serviço sem ser feito”, relatou em tom indignado Gilberto de Deus.

Como exemplo de obra paga e não feita, o ex-secretário apontou a Ponte Pera, no município de Coari, que segundo ele já custou R$ 9 milhões aos cofres públicos, mas não passa de uma ponte de madeira.

E, numa dessas tristes coincidências, o Radar contou em matéria intitulada “povo de Tefé dá um ‘passa fora’ no governador que é recebido embaixo de muita vaia e berros de insatisfação. Melo cancela agenda e vai embora (ver vídeo)”, que o povo daquele município estava revoltado com o professor Melo. Um dos motivos era exatamente a construção da ponte do Abial que, após anos, e muitas promessas, nunca saiu do papel. Na agenda do governador constava, inclusive, uma visita a tal da obra, mas o governador não foi até o local. Agora se sabe, através das declarações do ex-secretário da Seinfra, Gilberto de Deus que o povo de Tefé está coberto de razão para estar indignado, já que foram pagos R$ 6,6 milhões, mas a ponte não existe.

 

E por várias vezes, durante a entrevista coletiva, o ex-secretário de Infraestrutura do Estado, Gilberto Alves de Deus segurou o choro. Ele deixou visível sua mágoa por ter denunciado ao governador tudo que estava acontecendo e, ao invés de receber apoio, ter sido humilhado na presença de seu substituto, Américo Gorayeb.

Um dos momentos em que o ex-secretário chega as lágrimas é quando fala do que ele acha que deveria ter sido feito pelo governador diante das irregularidades na Seinfra e como teve que escolher em fazer parte do esquema de corrupção ou preservar sua família.