Ex-secretário desmente Pazuello sobre crise de oxigênio no AM

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo presta depoimento nesta terça-feira (15/6) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado e, ao comentar sobre a crise de oxigênio em Manaus (AM), ele desmentiu o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Aos senadores, Campêlo informou que avisou o governo federal sobre a falta de oxigênio para tratar pacientes da Covid-19 no município na noite do dia 7 de janeiro.

Em depoimento à CPI, Pazuello informou ter ficado sabendo da crise no estado somente no dia 10 de janeiro. A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação, Mayra Pinheiro, confirmou a informação de Campêlo e indicou que o ministro foi informado sobre os problemas dois dias antes, em 8 de janeiro.

A oitiva de Campêlo pode ajudar os senadores na investigação da crise sanitária em Manaus no início deste ano. O ex-secretário estava no comando da pasta quando houve o colapso no sistema de saúde na capital amazonense, com a falta de oxigênio e de leitos para tratar pacientes com Covid-19.

Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal em uma operação que apurou desvio de dinheiro do combate à pandemia, a partir de suposta organização criminosa no estado.

Segundo ele, houve protesto da população e o governo voltou atrás nas medidas restritivas. “A partir do fim do ano, no dia 31 de dezembro, pedimos o apoio da presença da Força Nacional de Saúde no estado de Amazonas”, disse.

Os senadores de oposição querem que ele esclareça as circunstâncias que levaram caos à capital amazonense e dê detalhes sobre os avisos e pedidos de ajuda feitos ao Ministério da Saúde para saber se houve atraso na resposta do Executivo federal à crise. Na época, o titular da pasta era Eduardo Pazuello.

Já os parlamentares da base governista querem usar a presença do ex-secretário para jogar ao governo do estado a responsabilidade pela crise sanitária em Manaus.

Convocação

Os requerimentos para a convocação de Campêlo partiram do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) e do independente Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

O presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), aponta que Campêlo tem muita coisa para esclarecer.

Além da divergência de datas informadas pelo ministro Pazuello e pela secretária Mayra sobre quando soaram os alertas da crise, os senadores queremexplorar o oferecimento, por parte do governo federal, de medicamentos sem comprovação científica, como a hidroxicloroquina, para tratar pacientes com Covid e conter a situação no estado.