Ex-secretário do MS fala à CPI sobre milhões nas contas do governo e da prefeitura que deveriam ter resolvido crise de oxigênio no Amazonas

Ex-secretário do MS, Elcio Franco e Senador Eduardo Braga. Foto: Reprodução

Em resposta aos questionamentos do senador Eduardo Braga (MDB/AM), o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, confirmou em depoimento à CPI da Covid-19 do Sendo Federal, nesta quarta-feira (09/06), que não faltou dinheiro para o governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus durante o colapso na saúde, no início deste ano, que causou a morte de centenas de pacientes com Covid-19 por falta de oxigênio medicinal e leitos nos hospitais.

Pela primeira vez alguém, enfim, falou das cifras reais que estavam à disposição do Estado e do município para o combate à Covid-19, assim como revelou o número de pessoas mortas durante a crise da falta de oxigênio no Amazonas. número de mortos que o Governo do Estado ainda não tornou público.

 De acordo com Franco, no dia 31 de dezembro do ano passado, haviam R$ 478,1 milhões no caixa do Amazonas, e R$ 203,1 milhões nos cofres de Manaus que poderiam ter evitado a crise na rede de saúde no Estado, e salvado vidas. No pico do colapso, no dia 9 de janeiro, foram registradas 123 mortes, a maioria por falta de oxigênio nos hospitais. Nos 31 dias do mês, 2.822 amazonenses perderam a vida por falta de ações de enfrentamento à doença.

Para Braga, a declaração do ex-secretário reforça ainda mais para a CPI da Pandemia a prova de que não faltou dinheiro. “Não faltou dinheiro, faltou competência e gestão para salvar vidas. O governo estadual e os governos municipais têm responsabilidade, sim. Mas a gestão da saúde é tripartite. A coordenação tem que ser do Ministério da Saúde, ele não pode ser omisso!”, observou o senador.

Eduardo também retrucou a informação de Elcio Franco, que disse aos integrantes da comissão que a crise de oxigênio nos hospitais em Manaus teria sido resolvida no dia 15 de janeiro. “É mentirosa essa afirmação. O colapso na saúde do Amazonas perdurou por todo mês de janeiro, se estendeu em fevereiro, e no mês de março, para se ter uma ideia, mais de 2,7 mil amazonenses morreram por falta de atendimento”, afirmou Braga.

No início de maio, em depoimento à CPI, os ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, também confirmaram que não faltou dinheiro para o Amazonas enfrentar a crise na rede de saúde. De acordo com eles, o governo federal atendeu todos os pedidos do governo do Amazonas, desde transporte de oxigênio, até a transferência de pacientes para tratamento em outros estados.

Vacinas 

Eduardo Braga também questionou o ex-secretário Elcio Franco sobre o processo de compra de vacinas, e disse que se o Ministério da Saúde tivesse assinado o contrato para a aquisição de imunizantes ainda no ano passado, o Brasil teria doses em número necessário para salvar milhares de vidas. “Por que não contratamos?  E ainda tivemos a questão de negacionismo do distanciamento, do uso de máscaras e álcool em gel.

Em seguida Braga fez um alerta ao ex-secretário Elcio Franco: “a diferença de um dia, dois dias, de dois, três meses na compra de vacinas são milhares de mortes. Não podemos deixar de comprar vacinas! Não é possível deixar de comprar mais Coronavac porque estamos aguardando uma outra vacina que só vai sair daqui a 90 dias”.

(*) com informações da assessoria