Falta de material cirúrgico para cesarianas põem em risco a vida de mulheres e seus bebês, em Tabatinga

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), segundo um pedido de socorro que chegou ao Radar, falta medicamentos e até mesmo material cirúrgico para realização de cesárias, o que estaria pondo em risco a vida de pacientes grávidas e seus bebês. As mulheres estão sendo mandadas pra casas pra esperar até que seja “dado um jeito” de conseguir o material necessário para a intervenção cirúrgica, diz um parente de uma dessas mulheres, que reclama ainda da existência de uma fila para que essas mães possam ter os bebês.

Inaugurada em 2014 pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam), a UPA Tabatinga funciona em um complexo que abriga a unidade e a Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, e conforme a denúncia, há meses não recebe itens básicos para a realização dos atendimentos médicos.

O Radar entrou em contato com a Prefeitura de Tabatinga para saber se alguma providência já tinha sido tomada pela administração municipal para cobrar da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) uma solução urgente para o caos que se instalou nas unidades de saúde geridas pelo Estado. A partir desse momento começou um jogo de empurra sem nenhuma resposta. A secretária de Gabinete do prefeito Saul Bemerguy mandou entrar em contato com a assessoria de imprensa e a assessoria de imprensa se limitou em dizer que as unidades de saúde eram de responsabilidade do Estado e que ligasse de volta pra secretária de gabinete.

De volta à secretária do gabinete, nos empurraram dessa vez para falar com a secretária executiva de Tabatinga, Ana Neta, que estaria, temporariamente, a frente da secretaria de saúde. Ela confirmou a situação de carência das unidades de saúde , mas jogou a culpa no processo de mudança na direção da UPA que teria contribuído para a falta medicamentos e materiais cirúrgicos na unidade, só não soube explicar o que tinha a ver uma coisa com a outra. Outra justificativa usada foi de que há dois meses aconteceu uma reunião entre gestores municipais da área de saúde e também do Estado, para tratar do caso e que ainda aguardavam uma solução – enquanto isso as mulheres e seus bebês vão correndo risco, olha o absurdo gente?

O Radar também entrou em contato com a Susam, através da assessoria de imprensa, mas até a tarde dessa terça-feira não mandaram uma linha de resposta . E, se para termos apenas uma posição sobre o caso já foi essa peregrinação, imagine a população que depende da unidade de saúde.