Familiares manifestam contra ação policial que causou a morte de jovem na Compensa (ver vídeo)

Fotos: reprodução

Familiares, amigos e moradores do bairro Compensa, zona Oeste, realizaram um protesto, na tarde desta terça-feira (6), em decorrência da morte do jovem Guilherme da Silva Protázio, de 18 anos. O rapaz foi baleado no tórax, em um suposto confronto com a polícia no domingo (4) e, faleceu na madrugada dessa segunda-feira (5). Os manifestantes queimaram pneus na avenida e alegaram injustiça pelo ocorrido.

Já é a segunda morte que acontece por suposto erro da Polícia Militar em cinco dias. No dia 30 de março, o jovem Endrio Souza Silva, de 20 anos, foi morto após intervenção policial durante um assalto no bairro da União, zona sul. A família afirma que a polícia armou toda a cena para camuflar o erro cometido.

O protesto

Por volta das 10h30 os manifestantes fecharam a avenida Brasil para chamar atenção das autoridades por conta da impunidade dos policiais na morte do jovem. O corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foi acionado para combater as chamas. Agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) auxiliaram motoristas que trafegavam pelo local.

 

Muitas viaturas da Polícia Militar estavam no local para dar apoio. Além da 8ª Cicom, que atua no bairro, equipe especializadas também compareceram, como a Força Tática e Choque.

Versão da polícia

A versão contada pela PM é que uma equipe da 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) teria recebido uma denúncia, que uma dupla estaria armada no beco São João. A guarnição entrou no local, e segundo os oficiais, a dupla teria atirado, então revidaram. Guilherme e o tio, Junior Costa da Silva, de 28 anos, foram baleados.

Guilherme foi levado pelos policiais ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Joventina Dias. Depois transferido ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, onde morreu horas depois.

No momento, Junior permanece internado no Hospital 28 de Agosto, enquanto uma equipe policial está responsável pela sua escolta. E quando receber alta médica, será encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.

Versão da família

Cintia é mãe de Guilherme, e contou que às 17h de domingo (3), os moradores estavam reunidos no beco para fazer uma “festinha de páscoa” para as crianças da vizinhança. Eles teriam sido surpreendidos pelos policiais no meio da festa. “Eles já chegaram nos intimidando e atirando. Um deles abraçou meu filho pelo lado, e atirou no peito dele, na frente de todo mundo. Imagina se um tiro desses atinge uma criança? Eles só fizeram jogar meu filho no camburão da viatura e o levaram”, contou dona Cintia.

Vídeo onde mostra a vítima sendo colocada na viatura.

A família ainda conta que os policiais tinham dito que o tio de Guilherme – Junior – teria atirado nele. “Não tem lógica e nem motivo do Junior atirar no próprio sobrinho. Primeiro porque ele não estava armado, segundo porque estávamos em uma festinha de criança. Tanto é, que se fosse o Junior que teria atirado no Guilherme, porque eles não o levaram também? Eles nem sabiam que o Junior estava ferido. Fomos nós que o levamos para o hospital”, contou Adrine, esposa do Junior.

De acordo com o Centro Integrado de Operações de Segurança (Cips), não há nenhum registro de antecedentes criminais no nome da Guilherme.

Família sem direito a informações

No hospital começou uma outra batalha… A do direito a informação do paciente. Além da dor da perda de Guilherme, familiares ainda lutam para conseguir saber o estado de saúde de Junior, que continua no 28 de Agosto desde a noite de domingo (3). “Somos barrados de entrar no hospital. A assistência social disse que não podemos receber o boletim do meu filho porque tem uma escolta com ele. Mas eu preciso saber de alguma coisa para me acalmar. O Guilherme morreu às 3h e só fomos informados às 10h. Se meu filho estar morto, eu nem tenho o direito de saber”, desabafou Rosania, mãe de Junior.

Procuramos a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para saber o motivo pelo qual os familiares de Junior não podem saber sobre a saúde dele, mas até o fechamento desta matéria, não recebemos resposta.

Defesa da PM

A polícia militar respondeu as acusações da família por meio de nota, e afirmou que o caso já foi registrado e está em investigação.

Veja nota na íntegra:

Informamos que será instaurado um Inquérito pela Polícia Civil (PC), após a conclusão do procedimento a Polícia Militar tomará providências conforme a conclusão das investigações.

Ressaltamos que no curso do processo apuratório serão dados aos policiais, o direito ao contraditório e à ampla defesa.

O caso foi registrado no 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP).