Famílias denunciam que Governo do AM continua atrasando pagamentos do TFD

Os dependentes do TFD apontam que além dos atrasos, a burocracia frequente tem tornado o acesso ao benefício cada vez  mais difícil

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Após uma série de denúncias de falta de pagamento, inclusive, mesmo com decisão judicial, o Governo do Amazonas continua sem prestar assistência às famílias que precisam do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Desta vez, além da mãe do menino Isaque Gama (que já teve seu caso denunciado pelo Radar) revelar que não recebeu o benefício do mês de agosto por conta de um novo atraso, outras famílias reclamam que estão sofrendo em outros estados por causa da mesma situação. A administração estadual continua não dando o suporte financeiro para elas se manterem durante o tratamento das doenças.

O descaso do governo de Wilson Lima continua mesmo após os atrasos anteriores terem resultado em uma decisão judicial que obrigava a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) a pagar R$2.200,50 (dois mil e duzentos reais e cinquenta centavos) à família de Isaque, que está em São Paulo.

Os dependentes do TFD apontam que, além dos atrasos, a burocracia frequente torna o acesso ao benefício cada vez  mais difícil, pois mesmo com o envio dos documentos solicitados, o governo demora para analisar, aprovar e então realizar o pagamento. Juliana Gama, mãe de Isaque, aponta que esses atrasos causam um efeito dominó, pois ainda que tenham pagado a última parcela, até ela ter acesso ao dinheiro, precisou fazer empréstimos para comer e se transportar.

“Assim, eles deixaram de mandar daquela vez e, para eu ficar me mantendo, tive que ficar emprestando dinheiro até receber o que eles prometeram. Quando caiu (sic) o pagamento do mês de setembro, só paguei o empréstimo. O aluguel eu paguei com aquela ajuda do Radar e outras pessoas que me deram”, revelou.

“E enquanto isso, minha luz venceu, água também. E aí lá vai eu ficar emprestando (dinheiro) de novo”, finalizou.

Além dela, outras pessoas estão passando pela mesma situação em outras cidades brasileira, como Fortaleza. Em um grupo de mensagens de aplicativo, essas pessoas que dependem do valor realizam uma série de reclamações e desabafos sobre como se sentem humilhadas e vulneráveis sem ter como se manterem financeiramente em outro estado.

A questão de empréstimos realizados pelos atrasos e o excesso de burocracia são alguns dos pontos mais comentados entre os participantes do grupo. De acordo com eles, apesar de enviarem os relatórios solicitados, os pagamentos não são pagos em dia.

“Vou emprestar dinheiro para pagar a pensão que moro”, aponta uma das pessoas.

“Como vivemos doentes, necessitamos de (sic) ajudas e não de regras burocráticas”, aponta outra pessoa se referindo ao processo mensal de ter que enviar relatórios à SES.

No grupo, as pessoas comentam diversos problemas, inclusive a falta de acesso às discussões sobre o serviço.

Posicionamento SES 

Por conta das denúncias, assim como os prejuízos que causam às famílias, o Radar entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde. Em resposta, a gerência estadual do TFD apontou:

“A gerência estadual do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) esclarece que o programa tem regras estabelecidas que precisam ser cumpridas por seus beneficiários. Aquelas que necessitarem permanecer no local de tratamento por um período maior que 30 dias devem enviar, todos os meses, enquanto durar o tratamento, relatório assinado por um médico, justificando a necessidade de dar continuidade ao tratamento fora do Estado.

É necessário providenciar com antecedência toda a documentação e enviar ao setor de ajuda de custo e prestação de contas do TFD. Quanto antes essa documentação for apresentada, mais rápido o pagamento poderá ser liberado, considerado os prazos e os trâmites processuais para a análise dos documentos.”

A gerência não se pronunciou no que diz respeito ao atraso mesmo com a apresentação dos documentos.