Fcecon: Cirurgias canceladas, crianças sofrendo, e mãe vai à Justiça para garantir atendimento

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M.F.S.S, tem 05 anos de idade, segundo os laudos médicos (ver laudos), possui “fissura labiopalatal com golpe de glote”, também denominado de lábio leporino, uma abertura na região do lábio ou palato ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas durante a gestação. Mas, essas palavras técnicas, não expressam com fidelidade o problema enfrentado pela pequena “M”. As palavras simples de sua mãe, Rilsa Magda de Souza Costa, explicam melhor a situação: “ela não tem a campainha (úvula bífida). Só quem entende o que minha menina fala sou eu, e algumas pessoas da família que convivem com ela desde o nascimento”. Aliado ao problema na fala, também tem as dificuldades na alimentação, algo comum segundo artigos assinados por médicos especialistas nos casos de fissura labiopalatal. No caso de “M, a ausência da “campainha”, muitas vezes, na hora da ingestão dos alimentos, provoca a sensação terrível de afogamento. Por conta disso, Rilsa tem que se dedicar exclusivamente a cuidar de “M”. Desde o seu nascimento, passa cada minuto do seu dia, ao lado da filha, convivendo com a sensação de medo de que sua filha possa se sufocar.

Desde que nasceu, “M” faz tratamento na Fundação Centro de Controle de Oncologia (Fcecon) recebendo atendimento de uma equipe multidisciplinar, formada por assistente social, medico, psicóloga e fonoaudióloga, onde sua mãe, Rilsa, depois do desespero de saber que seu bebê nasceu com a má formação congênita, se encheu de esperança com a notícia de que havia solução para o problema, uma cirurgia faria “M” ter uma vida normal. Mas, o que era esperança virou drama. “O médico falou que a cirurgia teria que ser feita até que ela completasse cinco anos, por que a partir desse período começa a consolidação da fala e do aparelho fonoauditivo”, conta Rilsa, lembrando que “M” já completou cinco anos. Desde o ano passado, a cirurgia de “M” já foi marcada quatro vezes, e quatro vezes desmarcada. A primeira intervenção ci rúrgica foi marcada ainda no primeiro semestre do ano passado (22/06/2012), e segunda no mesmo mês (29/06/2012). Nova marcação de cirurgia no mês  de setembro (14/09/2012) e, a mais recente, já este ano, no mês passado (15/03/2013) – ver cartão de atendimento de “M” onde Rilsa marcou ao lado com um risco os dias em que haveria a cirurgia. Todas as vezes houve o cancelamento, sob a justificativa de falta de equipamentos e sala cirúrgica, segundo conta Rilsa, e está escrito em laudo, de próprio punho, do médico cirurgião do Fcecon(ver laudo)   “Ninguém sabe o que é passar por isso. O nervoso que dá ao pensar que sua filha vai pra uma mesa de cirurgia. A psicóloga prepara “M” e na hora nada acontece. É muito sofrimento pra gente”, comenta Rilsa. E ainda há mais um martírio na vida de Rilsa, se sentindo impotente ao ver o tempo passando, e pensar a cada instante, que sua filha pode ficar com problemas na fala por toda a vida caso a cirurgia não seja feita logo. “Penso que mesmo com a cirurgia, mas feita depois de muito tempo, minha filha fique falando fanhoso, tenha dificuldade de se comunicar com a professora, com os colegas, tenha problema pra aprender as coisas. E ainda sofra bullying, passe humilhações na escola”, diz Rilsa em tom de desalento.

Buscando Justiça

Mas, a mãe de “M” decidiu lutar por sua filha. No dia 20 de março, Rilsa Magda de Souza Costa, deu entrada num pedido de providências jurídicas por parte da Defensoria Pública, na 2ª DPAC (Atendimento Cível da Cidadania), solicitando que a Justiça intervenha e obrigue o hospital a fazer a cirurgia. Essa atitude por parte de Rilsa só foi possível, porque cirurgião, a psicóloga e a fonoaudióloga se compadeceram com a situação de Rilsa, e respeitaram o juramento profissional que fizeram de ter compromisso com a vida de seus pacientes, e decidiram assinar laudos onde constatam a deformidade de “M”, a necessidade de cirurgia e as consequências de não se realizar o procedimento médico, os motivos para que estas intervenções cirúrgicas não tenham sido realizadas – propositalmente apagamos os nomes desses profissionais por estarem sofrendo represálias por parte de membros da direção do hospital.

Declara (e assina) o médico cirurgião: “Necessita de correção de fissura palatina, aguardando cirurgia devido o programa estar parado há cinco meses, por falta de equipamento e sala cirúrgica”. Diagnostica a fonoaudióloga: “Possui distúrbio compensatório de fala com golpe de glote entre outros, distúrbio articulatório e alteração de ressonância vocal em função do quadro e ainda não foi submetida a procedimento cirúrgico”. E ainda prevê a profissional: “os demais prejuízos da fala estão condicionados a realização da palatoplastia, para tentativa de correção após a mesma” (ver laudo)

E Rilsa conta algo revoltante: “O cirurgião, único especialista dessa área no hospital, tem honrado seu diploma de médico e tem se prontificado a fazer a cirurgia. Mas, como ele mesmo me explicou, não pode fazer nada sem equipamento e sala cirúrgica. E ele, junto com as doutoras (psicóloga e fonoaudióloga) me deram os laudos, e aí os diretores lá do hospital (Fcecon) fizeram até reunião pra chamar a atenção deles. Estão falando até em punição. Isso me revolta”.  Pois, todos nós aqui do Radar comungamos desse mesmo sentimento, e não vamos nos omitir. Rilsa não está só!

(Any Margareth)

Veja os documentos abaixo:

Documento 1

Documento 2

Documento 3

Documento 4

Documento 5