Federação de natação restringe participação de mulheres transgênero em competições

Fina só vai permitir atletas trans que suprimirem produção da testosterona antes da puberdade

Foto: Joseph Prezioso

A organização que comanda a natação internacional proibiu, para todos os efeitos, a participação de mulheres transgênero em competições femininas internacionais de primeiro nível. A decisão intensifica o debate sobre o esporte e questões de gênero que vem sendo registrado em órgãos legislativos estaduais norte-americanos e causa divisões cada vez mais sérias entre pais, atletas e treinadores de todas as categorias do esporte.

A votação da Fina (Federação Internacional de Natação), que administra as competições internacionais de esportes aquáticos, proibiu mulheres transgênero de competir a não ser que elas se submetam a tratamentos médicos que suprimam a produção de testosterona antes de um dos estágios iniciais da puberdade ou antes dos 12 anos de idade, o que ocorrer mais tarde.

A decisão estabelece uma das regras mais severas contra a participação de atletas transgênero em esportes internacionais. Cientistas acreditam que a chegada da puberdade masculina oferece às mulheres transgênero uma vantagem física duradoura sobre atletas que tenham nascido mulheres.

A natação internacional também propôs estabelecer uma nova categoria “aberta” para atletas que se identificam como mulheres, mas não cumprem os requisitos para competir contra pessoas que nasceram mulheres.

Mais de 70% das federações que compõem a Fina votaram em favor da adoção da regra, desenvolvida em novembro por um grupo de trabalho que incluía atletas, cientistas e especialistas em questões jurídicas e médicas. A regra entrou em vigor nesta segunda-feira (20), dias antes do início do campeonato mundial de natação, em Budapeste, Hungria.

“Temos de proteger o direito de competir de nossos atletas, mas também temos de proteger a lisura da competição em nossos torneios, especialmente nas categorias femininas das competições da Fina”, afirmou em um comunicado o presidente da organização, Husain al-Musallam.

Não existem competições para mulheres transgênero nos campeonatos mundiais de natação, e apenas uma mulher transgênero, uma futebolista canadense, conquistou uma medalha olímpica até agora, pelo que se sabe.

A decisão, no entanto, surgiu apenas três meses depois que Lia Thomas se tornou a primeira mulher transgênero a vencer um campeonato de natação na divisão 1 da NCAA, a organização que comanda o atletismo universitário dos Estados Unidos (ela venceu o torneio dos 500 metros estilo livre), e isso colocou a questão em destaque. Thomas declarou ter esperanças de buscar classificação para a equipe olímpica dos Estados Unidos em 2024. Sob as novas regras, ela não seria elegível para participar da competição.

As regras da Fina se aplicam apenas a competições internacionais, mas podem orientar o pensamento de outras federações esportivas que estão lidando com a questão.

Ativistas declararam que a decisão da organização internacional de natação representa um avanço para o movimento cada vez mais forte que busca impedir que mulheres transgênero compitam em esportes recreativos. Afirmaram que a limitação solapa os esforços para oferecer a todos pleno acesso ao esporte, independentemente do sexo que tenha sido designado a cada um no nascimento.