Filhos legítimos e filhos bastardos?

abatedouro

No final de semana passado, o governador do Estado, Omar Aziz (PSD) anunciou um pacote de obras de R$ 73 milhões para Coari, município situado a 370 quilômetros de Manaus, cidade mais rica do interior do Amazonas que, somente de royalties recebeu R$ 85 milhões em 2012. Apenas nesses quatro primeiros meses do ano, a Prefeitura de Coari já recebeu R$ 16,7 milhões de royalties. Mesmo assim, o Governo do Estado se viu na obrigação de “socorrer” o município de Coari com investimentos na area de infar-estrutura, educação, produção rural, além de implantar projetos na area de segurança como o Ronda no Bairro, e o Viver Melhor, destinado à pessoas com deficiências físicas. Enquanto isso, no distante (1.159,7 kms) município de Eirunepé, filhos dessa mesma terra, Amazonas, morrem de hepatite B e, atualmente de um estágio ainda mais avançado da doença que é a hepatite D (Delta). A população sofre com mais uma enchente. Falta medicamento no hospital, e até alimentação para os doentes. Pacientes com hepatite, doença infecciosa inflamatória no fígado, que deveriam, obrigatoriamente comer alimentos naturais, sem conservantes,  são obrigados, para não passarem fome, a comer conserva em lata. Nos últimos dias, descobriu-se ainda que a carne consumida pela população, até mesmo nas escolas e no próprio hospital, está infectada com a bactéria da brucelose. Imagens do matadouro de gado da cidade causam revolta em qualquer pessoa que tenha um mínimo de respeito pelo semelhante. O matadouro fica no meio do lixão da cidade, o gado é morto no chão, onde homens caminham sobre partes do boi e muito sangue. Nesse mesmo lugar, cachorros se alimentam e crianças catam sobras pra comer. E, aí, dá vontade de perguntar porque o governador Omar Aziz, o vice, José Melo, a secretária de Governo , Rebeca Garcia, e toda a comitiva do Governo do Estado, que posou tipo “foto de album de família”, ao lado do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e do deputado federal, Sabino Castelo Branco, e dos vereadores do município, para um dos jornais locais, não pegaram um avião e foram “socorrer” os filhos de Eirunepé. Será que é porque os filhos do Amazonas, da banda de lá, doentes e debilitados, não iam ficar bem no “album de família”? Ou será que na nossa terra-mãe, Amazonas, há filhos legítimos e filhos bastardos?

Filho problemático

E, o caso dos investimentos milionários em Coari, se confrontando com a falta de investimentos em Eirunepé fez os antenados jornalistas do Radar lembrarem do que acontece em muitas famílias que vivem em crise, onde mães teimam em dar excesso de amor e proteção para filhos problemáticos, rebeldes sem causa, que fazem o que querem sem medir consequencias e sem pensar no semelhante. Essa realidade veio a mente através da lembrança da imensa lista de processos, inclusive criminal, aos quais responde o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, que vai de pedofilia, a contas reprovadas no TCE e TCU. Sentença condenatória no TRE-AM, e processos na Justiça Federal por desvio de recursos públicos, formação de quaddrilha, fraudes em licitação, uso de notas frias, …. Mas, já que estamos falando de mãs e filhos, bom lembrar que ele não é filho de Coari. Os filhos daquela terra têm outra genética.

Desigualdades entre mães

E por falar em desigualdade, não poderíamos deixar de citar o caso do pagamento de bonificações no valor de R$ 1,2 mil às funcionárias do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em homenagem ao Dia das Mães. Nada contra qualquer homenagem às mães, seja qual for o órgão público onde essas mulheres desenvolvem suas atividades profissionais e garantem o sustento de seus filhos. Mas, é bom lembrar que esses órgãos são mantidos com dinheiro público, pago pelos cidadãos do Amazonas, entre eles outras mães, que com o suor do trabalho pagam seus impostos e mantém a arrecadação do Governo do Estado, e consequentemente, o repasse de verbas para o custeio do TCE . Será que dá para ter mais austeridade com o dinheiro que é fruto do trabalho dessas mães?

E, falando nelas…

O Radar envia às mães do Amazonas, no dia de hoje, as melhores vibrações de amor, paz, prosperidade, saúde e, acima de tudo, aquilo que as mães mais desejam, que é a família unida e a felicidade de seus filhos. Para as companheiras jornalistas, que fazem dessa nossa profissão um ato de amor a nossa terra-mãe, o Amazonas, o Radar envia um obrigado do tamanho desse gigantesco Estado e desejos de dias tão belos como um nascer do sol no nosso rio-mar. Felicidades mil!