'Florestas do meu exílio', de João Capiberibe, será lançado em Manaus

livro- florestas-do-meu-exilio grandeNo próximo sábado, 26/4, será a vez de Manaus acolher o lançamento do livro Florestas do meu exílio, romance autobiográfico de João Capiberibe, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), às 8h. O senador socialista estará em manhã de autógrafos na abertura do 4º Seminário Regional Programático do PSB-Rede, por meio do qual os pré-candidatos a presidência e vice-presidência Eduardo Campos e Marina Silva vêm debatendo o programa de governo da aliança com a população de todas as cinco regiões do país.

Lançado em Macapá, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Belém, Vitória e Porto Alegre, Florestas do meu exílio (Editora Terceiro Nome) revela a saga de uma família nos anos de chumbo. O livro destaca o período em que, o hoje senador, João Capiberibe foi perseguido pela ditadura, o seu papel na ALN, o encontro com Mariguella, a prisão, a tortura e, principalmente, os anos de exílio. Um dos momentos mais emocionantes da leitura fica por conta da fuga cinematográfica da prisão, em 1971. Depois passar quase um ano encarcerado no presídio de São José, em Belém, Capiberibe fez greve de fome e, muito doente, foi transferido para o hospital da Aeronáutica. Dali fugiu disfarçado de médico, pela porta da frente, e navegou mais de 6 mil quilômetros pelos rios Amazonas e Madeira, levando a mulher e a filha com menos de 1 ano, a caminho da Bolívia.
Na travessia pela América do Sul, novos integrantes chegariam: um casal de gêmeos. Foram quase dez anos de exílio, passados entre Bolívia, Chile, Canadá e Moçambique.

A apresentação é de Ana Miranda

Além de contar criteriosamente a saga vivida pelo casal, com sua filhinha, entre fugas dramáticas, perseguições, torturas de naturezas várias, vidas subterrâneas que fazem lembrar as cenas mais terríveis de Dickens, Conrad, Victor Hugo, até mesmo Graciliano Ramos ou Kafka, o livro tem outra virtude: revela um Brasil e uma América Latina “que poucos conhecem em todo seu encanto e rudeza, entre florestas, cumes andinos, pueblos, vinhedos, com suas canções, insurreições, fomes, tragédias e soluções de vida”, como escrevi nas orelhas do livro. “Vemos vilezas e horrores, mas também o dom humano de amar, apoiar, acreditar, lutar por um ideal; pessoas que nada possuem e são capazes de doar, desafiar gigantes, arriscar suas vidas”.

Sobre a obra e o autor

Entre 1970 e 1974, a família Capiberibe viveu uma emocionante e perigosa epopeia pela América do Sul: movidos por ideais de liberdade e justiça, João, Janete e a filha Artionka, ainda um bebê, conseguiram escapar de Belém, no Pará, e chegar a Santiago, no Chile, sempre com os agentes da ditadura civil-militar brasileira em seu encalço. No meio do caminho, a aventura e a família ganhariam novos e frágeis integrantes, os gêmeos Camilo e Luciana. Juntos, eles atravessaram florestas por rios e estradas, viajaram a pé, de barco, caminhão, avião e ônibus, sem documentos, dinheiro ou pertences, fugindo da morte e buscando um Brasil mais justo e democrático. Além de apresentar ao leitor os momentos tensos e os instantes alegres da jornada que se inicia na prisão e termina no exílio, este livro traça um rico panorama da vida política do continente e das lutas contra governos ditatoriais em todo o mundo.

João Capiberibe, conhecido como Capi, nasceu no pequeno município de Afuá, no Pará, e aos sete anos, saiu do coração da Ilha do Marajó e desembarcou em Macapá, no Amapá. Aos 17 anos ingressou no movimento estudantil e foi cursar economia, em Minas Gerais. Deixou Minas e voltou a Belém no final de 1978, quando ingressou na Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighella. Em 1970 foi preso no Pará com sua mulher, Janete Capiberibe. No ano seguinte foi transferido do presídio São José para a Santa Casa de Misericórdia, de onde fugiu disfarçado de médico, com a ajuda do amigo, o médico Almir Gabriel, que nos anos 90 seria eleito duas vezes para governar o Estado do Pará.

No exílio viveu no Chile, no governo de Salvador Allende, de onde saiu depois do golpe do ditador Augusto Pinochet. Viveu no Canadá e em Moçambique. Em 79 voltou ao país. Inicialmente foi morar no Amapá, mas logo teve de deixar o então território por conta de perseguições políticas. Foi trabalhar com Miguel Arraes, em Pernambuco, e depois no Acre. Voltou ao Amapá e em 1985 ocupou o cargo de Secretário Estadual da Agricultura e três anos depois foi eleito prefeito de Macapá. Em 1994 foi eleito governador do Amapá por dois mandatos. Em 2002 foi eleito senador e reelegeu-se em 2010. É autor da Lei da Transparência e, desde 1987, é membro do Partido Socialista Brasileiro.