Formação de grupo de trabalho para fiscalizar obras do Governo do AM deve custar mais de R$ 64 mil aos cofres públicos

O grupo está lotado na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra)

Foto: Divulgação/ Seinfra

Com a justificativa de tentar acelerar as obras do Governo do Amazonas, o governador Wilson Lima (União Brasil) criou um grupo de trabalho para fiscalizar a execução das obras por meio do Decreto n.º 45.373, de 29 de março de 2022. A atitude seria até louvável, tendo em vista que muitas obras no Estado estão abandonadas — como de um SPA em Manicoré, cujo as obras começaram há 15 anos e nunca terminaram. Contudo, o decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) revela outras intenções, além da fiscalização das obras.

De acordo com o documento, o grupo de trabalho é composto por um presidente, um vice-presidente e 10 membros. O presidente e o vice-presidente do grupo vão receber R$ 7 mil cada, enquanto isso, os outros 10 membros vão receber, cada um, R$ 5 mil. Ao todo, a formação do grupo irá custar mais de R$ 64 mil aos cofres públicos. Ambos irão receber esta gratificação por 11 meses, totalizando R$ 704 mil.

O grupo está lotado na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra) e tem a finalidade de desenvolver e propor soluções voltadas à modernização, aperfeiçoamento e uniformização das normas de obras públicas da secretaria. Até o momento, não foi publicado os nomes dos integrantes de tal grupo de trabalho.

As obras do governo demonstram tanta lentidão que é necessário até criar um grupo para que sejam fiscalizadas, mas, por outro lado, antes deste grupo ser criado, a própria população já vinha fiscalizando as obras, como no caso da pavimentação e duplicação da AM-010 (Manaus — Itacoatiara) que constantemente é alvo de denúncias ao Radar.

Essa é mais uma das obras milionárias do governo Wilson Lima, já que a pavimentação da via foi orçada em R$ 366 milhões. Um consórcio foi contratado para realização das obras, mas no local, o Radar não encontrou nenhuma empresa realizando algum serviço, então, esta seria uma oportunidade para o grupo de ‘fiscalizadores’ ajudar no processo de celeridade dessa obra.

Confira o decreto na íntegra