Foro Social de Coari apela para que a Justiça restabeleça a ordem e a moralidade no município

assembleia plenárioEm cessão de tempo na Assembleia Legislativa, o Foro Social Permanente de Coari denunciou hoje (10) a situação de opressão em que vive a população do município, atemorizada pelas ameaças e perseguições promovidas por pessoas ligadas ao grupo do prefeito afastado Adail Pinheiro. A cidade, segundo os membros do Fórum, permanece mergulhado na lama dos desmandos administrativos, da corrupção e da pedofilia, apesar da prisão de Adail Pinheiro, em Manaus.
Representando o  Conselho de Cidadãos de Coari, Raione Queiroz, fez um apelo veemente à Justiça pelo julgamento  dos acusados por crimes de pedofilia e corrupção no município. “Estamos vivendo numa ditadura, onde os desmandos e os casos de pedofilia se tornaram banais. A Justiça precisa agir urgentemente para restabelecer a ordem e a moralidade em Coari”, defendeu.
As escolas estão sem merenda, os hospitais sem medicamentos básicos e o comércio da cidade está fechando as portas, denunciou Queiroz. A situação da segurança também é caótica, com a ocorrência de mortes nos finais de semana. “Enquanto isso, o atual prefeito constrói suas casas usando a máquina da prefeitura”, acusou.
O comerciante Domício Silva também apelou ao governador José Melo e aos Ministérios Públicos Estadual e Federal por medidas urgentes de intervenção em Coari. Ele afirmou que não dá mais pra conviver com a impunidade nos casos de desvio de dinheiro público e de pedofilia.
A truculência no município também foi relatada pela comerciante Raimunda Socorro Moura, que teve a sua banca de revistas destruída por policiais armados, que a insultaram e deram fim na mercadoria, por ordem da prefeitura de Coari. O motivo: os jornais noticiavam os escândalos de corrupção e pedofilia no município. Ela procurou a Justiça, mas não obteve apoio para retomar a atividade, após 17 anos de trabalho.
Da mesma forma, a feirante Deusuita Martins, foi retirada à força da Feira do Produtor, onde trabalhava há 34 anos, porque a sua filha participou de uma manifestação contra os escândalos de Adail Pinheiro.
O ativista Joel Rocha, que acampou em frente ao prédio do TSE, em Brasília, protestando contra a morosidade no julgamento do processo contra Adail Pinheiro, por ficha suja, lamentou pelas crianças de Coari, vítimas de estupro, sem que os processos contra os acusados tenham sido julgados. “Um pedófilo destrói a infância de dezenas de crianças e nenhuma medida é tomada para tirá-lo definitivamente do poder”, reclamou.
O Fórum ingressou no Ministério Pùblico Estadual e na Câmara Municipal de Coari com pedido de investigação e de afastamento do vice-prefeito Igson Monteiro, que substitui Adail Pinheiro.
O espaço para o pronunciamento dos membros do Fórum Social de Coari foi  concedido pelos deputados Luiz Castro, José Ricardo, Marcelo Ramos, Conceição Sampaio e Marco Antônio Chico Preto.
O Foro é formado por representantes de sindicatos, de cooperativas, de associações de comerciantes e por profissionais liberais de Coari.