Friagem histórica chega ao sul do Amazonas e provocará queda de temperatura até 20ºC

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O fenômeno histórico que vai causar chuvas, granizo, frio e até neve em grande parte do território brasileiro também chegará no Amazonas. Conforme previsões do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), os municípios do sul e do Estado podem apresentar temperaturas mínimas de 20°C até o próximo domingo (23).

“A frente fria poderá alcançar o sul do Amazonas durante a madrugada desta sexta-feira provocando chuvas isoladas e queda de temperaturas devido à nebulosidade e avanço da massa de ar frio” informou Sipam.

Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que possui doutorado em Clima e Ambiente, Rogério Ribeiro Marinho, dependendo da intensidade da friagem, pode atingir a Amazônia.

“Geralmente as friagens ocorrem próximo do meio do ano, no mês de julho, com queda da temperatura que dura de 5 a 6 dias. Com a penetração da massa de ar fria pode ocorrer uma redução de até 30% (+/- 10 graus) na temperatura do ar, com aumento da nebulosidade, o que causa redução dos fluxos de calor e na sensação térmica. Em virtude da intensidade desta friagem histórica, há sim a possibilidade do frio de chegar ao Amazonas, mas ficar restrita a porção sul do estado”, informou o professor.

Manaus de fora

Apesar da possibilidade baixa da friagem histórica atingir a região oeste do Estado, o Sipam informou que a capital amazonense não sentirá esta queda de temperatura. Rogério Ribeiro afirmou que o motivo pode estar relacionado à proximidade de Manaus à linha do Equador.

“A cidade de Manaus fica próxima da linha do Equador, isso faz com que essa região receba uma intensa quantidade de energia solar em sua superfície e ter uma elevada temperatura com pouca variação ao longo do ano. Um sistema de frente fria ao se deslocar do Polo Sul em direção a linha do equador vai perdendo sua temperatura mais fria, e por isso, a friagem não chega à capital amazonense”, pontou Rogério Ribeiro.

Alerta

A Defesa Civil do Amazonas, por meio do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa) emitiu na manhã desta quinta-feira (20), um informativo que alerta a população sobre os cuidados por conta da friagem que poderá atingir o Amazonas.

“Nesta semana a chegada de uma intensa massa de ar frio de origem polar sobre o Brasil poderá afetar o Sul do Amazonas, configurando o fenômeno de friagem entre os dias 21/08 e 22/08. Na frente deste sistema meteorológico há organização dos sistemas convectivos proporcionando chuvas e na sua retaguarda uma massa de ar de características seca e fria, responsável pelo declínio acentuado na temperatura do ar”, informou em nota.

Rogério ainda ressalta que a população que reside nos municípios do sul do Amazonas pode precisar se agasalhar para suportar a baixa temperatura.

“Este sistema atmosférico pode alcançar os municípios do Sul do nosso estado, principalmente em Apuí, Humaitá, Lábrea, Boca do Acre e a região do rio Juruá próximo do Acre. Dependendo da temperatura do ar é recomendado que as pessoas agasalhem-se adequadamente para suportar temperatura próxima ou abaixo de 20° C”, ressaltou o pesquisador.

O professor Rogério Ribeiro pontuou também a necessidade da população de se agasalhar para suportar a queda de temperatura evitando assim complicações respiratórias.

“Estamos na época do ano em que a umidade do ar fica mais baixa, que associado a fumaça de queimadas e com a possível queda nas temperaturas, há sempre o risco de problemas respiratórios, principalmente para as crianças e idosos”, orientou Ribeiro.

Friagem histórica

Rogério salientou ainda que o evento histórico poderá fazer com que os brasileiros tenham suas casas cobertas de neve e que, devido às mudanças climáticas recentes, eventos como estes podem se tornar ainda mais frequentes.

“Interessante notar que esta friagem ocorre no segundo semestre, com possibilidade de neve na região Sul do País, o que não é comum. Estamos num momento de grandes mudanças ambientais que podem comprometer o sistema climático do planeta, com maior número de eventos climáticos extremos, como esta forte frente fria, que podem se tornar mais frequentes no futuro próximo”, ressaltou o professor.