Funcionários confirmam fechamento dos laboratórios do Estado e vão às ruas em protesto contra privatização

Poli Codajás e Poli Gilberto Merstrinho

A denúncia dada, em primeira mão pelo Radar Amazônico, de que o Governo do Estado estaria fechando o laboratório de Análises Clínicas das Policlínicas Codajás (Cachoeirinha) e Gilberto Mestrinho (Centro) – desmentida pelo secretário de Estado da Saúde, Pedro Elias, através de outros veículos de comunicação – foi confirmada nesta quarta-feira (27) por servidores da Susam que trabalham nos laboratórios.No dia 29 de fevereiro as 8h30 em frente a Policlínica Gilberto Mestrinho o Sindicato dos Farmacêuticos estará realizando uma manifestação pública com o apoio de todas as categorias da saúde contra o fechamento dos laboratórios e contra a privatização e terceirizações dos serviços do SUS.

A informação transmitida aos funcionários é que os centros de atendimentos geram prejuízo para as finanças da saúde, e a utilização de serviços privados em laboratórios credenciados foi apontada como a melhor saída para “redução de custos” dos serviços prestados. Segundo o diretor do PAM da Codajás, Fábio Shimizu, em reunião hoje com os funcionários lotados no laboratório da unidade, a ordem de paralisar definitivamente o serviço veio do secretário de de Estado da Saúde, Pedro Elias de Souza.

O diretor informou ainda que dentro da unidade ainda tem uma boa reserva de material comprado para utilização nos procedimentos e orientou aos funcionários que aguardassem até o fim do mês para que fosse definida a situação da lotação deles. O mais confuso em toda essa situação é que o próprio secretário, no dia 12 de janeiro durante o primeiro encontro para criação do Comitê de Crise da Saúde no Amazonas, ao ser questionado da situação pelo deputado Luiz Castro (REDE) em reunião no Ministério Público Federal (MPF) informou diante da Procuradora Bruna Menezes e demais membros do Comitê desconhecer tal situação.

Novas denúncias que chegaram ao Radar, dão conta de que os laboratórios de análises clínicas credenciados que vão assumir a realização de serviços públicos de saúde são de propriedade de nomes importantes da política no Estado e de Conselhos envolvidos com a saúde. Enquanto isso, os servidores dizem desconhecer os rumos que essa medida poderá dar em suas vidas.

A grande maioria deles é concursado em função específica para laboratório e estão lotados na unidade há mais de 30 anos “Essa é uma atitude irresponsável dos governantes, não temos ciência de nenhum documento oficial que determine o fechamento dos laboratórios, mas a informação passada pela gestão é que vai acontecer, e essas 30 mil pessoas que são atendidas mensalmente custarão muito mais caro para os cofres do Amazonas se forem atendidas no serviço privatizado” afirmou um servidor que não quis se identificar com medo de retaliações por parte da direção da Policlínica.