Gasolina chega a R$ 6,49 em postos de Manaus e motoristas de aplicativo ameaçam parar

Especialista ouvida pelo Radar Amazônico explica como esse aumento pode afetar toda a população

Foto: Reprodução

Com o novo reajuste em vigor a partir deste sábado (09), o preço do litro da gasolina já está sendo vendido a R$ 6,49 em alguns postos de combustíveis de Manaus. Por conta do aumento, alguns motoristas de aplicativo já anunciaram que vão deixar a profissão de lado.

“A partir da próxima semana, eu vou desligar o aplicativo porque não tem condição de continuar. O que a gente ganha dá mal para pagar as parcelas do carro, imagine tirar lucro. Fora isso, ainda tem a manutenção e outros custos. relatou Braulio, que há mais de três anos e meio dirige pela plataforma UBER em Manaus.

Assim como Braulio, centenas de motoristas de aplicativos já estão sendo afetados com o aumento, que trará impacto direto no bolso dos cidadãos brasileiros.

No interior do Estado, a situação é ainda mais complicada. No chamado ‘Posto Central’ de Itacoatiara (município localizado a 175 km de distância da capital), o litro da gasolina não sai por menos de R$ 6,80.

Quem pensa que esse prejuízo é apenas para quem dirige está muito enganado. O Radar Amazônico ouviu a professora de ciências ecônomicas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e vice-presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), Denise Kassama. Ela explicou que o aumento no preço dos combustíveis pode afetar todos os consumidores.

“Esse aumento anunciado pela Petrobras, infelizmente, não deixa de ser um duro golpe no bolso do trabalhador. O impacto é direto – porque boa parte da população faz uso de automóvel para locomoção e isso afeta o orçamento das famílias, e indireto – porque aumenta o custo logístico, o que acaba refletindo nos custos dos produtos de forma geral.”

Bola de neve

A economista também afirmou que o aumento pode diminuir o poder de compra das famílias de baixa renda e colaborar com o desemprego no país.

“É evidente que quem mais vai sentir na pele esses impactos é a parcela mais pobre da população. Um grupo que está cada vez maior e que já compra as coisas com dificuldade. Além disso, quando o preço dos produtos e serviços aumenta, e a renda das pessoas diminui, isso afeta todo o fluxo da economia, que fica mais lenta, ou seja, o consumo cai. Além disso, o comércio e a indústria vendem menos e geram menos emprego, o que consequentemente deixam as pessoas com menos renda”, destacou.

Desmantelamento da Petrobras

Vendida em agosto deste ano para a empresa Atem’s Distribuidora de Petróleo, a refinaria Isaac Sabbá foi fundada em 1957 e em 1974 foi incorporada no Sistema Petrobras como Refinaria de Manaus (Reman).
Foto: Reprodução / Luiz Vasconcelos

Ao anunciar o aumento na sexta-feira (08), a Petrobras justificou a medida alegando que a elevação reflete os patamares internacionais do preços de petróleo. Mas afinal, o que torna o Brasil tão dependente do mercado internacional?

A economista ouvida pelo Radar Amazônico explicou que, apesar do país ser um dos 1o maiores exportadores de petróleo do mundo, ainda sofre com a falta de tecnologia e estrutura necessária para transformar essa matéria-prima em combustível.

“A gente entende que essa política de preços da Petrobras, alinhada com o mercado internacional, acontece porque o Brasil é muito dependente de combustível. Embora seja autossuficiente na produção de petróleo bruto, o Brasil importa bastante combustível porque não tem estrutura nem tecnologia para refinar todo o petróleo que produz.”, destacou.

Ela também explicou que as medidas adotadas pela gestão econômica do governo federal acabam fortalecendo essa dependência.

“A recente venda da Reman [Refinaria de Manaus] mostra isso. A política do governo com relação à Petrobras é desmantelar a estrutura gigantesca dela e deixar o Brasil sujeito aos preços do mercado internacional”, finalizou.