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Glover relembra vida na roça e fala sobre legado: “Cinturão ainda é meu sonho”

Brasileiro, que enfrenta Misha Cirkunov no UFC deste sábado, diz que não vai desistir até alcançar objetivo, mas pondera: "Se não conseguir, minha vida já me deixa super feliz"

Atual terceiro colocado no ranking meio-pesado do Ultimate, Glover Teixeira enfrenta neste sábado o sétimo colocado na listagem oficial, Misha Cirkunov, no card principal do “UFC: Dos Anjos x Lawler”, que acontece em Winnipeg, no Canadá.

O mineiro de Sobrália, que quando criança morava na roça, atualmente reside em Danbury, cidadezinha de Connecticut que tem uma alta concentração de brasileiros de sua terra natal. Por conta disso, ele consegue manter uma conexão muito forte com as suas raízes.

Fã de Mike Tyson, Glover decidiu começar a lutar MMA após ver Royce Gracie em ação. E é essa e outras histórias que ele relembra nessa entrevista ao Combate.com. Confira abaixo, dividido por tópicos:

Ligação com o Brasil

Estou sempre seguindo as minhas raízes. Fui criado na roça, agora estou tentando me alimentar melhor. Antes não me importava com o que comia, agora estou comendo melhor. Em Connecticut tem muitas fazendas, vou lá e compro carne, ovo, galinha, tudo na fazenda. Vegetal no verão tenho a horta, no inverno não dá, mas compro tudo orgânico. É bom para a alimentação. Sigo minhas raízes, meus amigos de Sobrália estão lá em Connecticut, então a gente chega lá e tem torresmo frito, cachaça… Quando vou no Brasil, eu volto e a alfândega me para com 10, 20 cachaças para a galera, mas é bom demais.

Vida em Danbury

Lá é uma comunidade brasileira muito grande. Para fazer “queijo minas”, eu sou preguiçoso, não vou comprar leite, fazer coalhada, mas tem gente que faz, que tem bastante tempo para fazer isso. Eu estou sempre treinando, mas sou sempre convidado quando eles fazem as coisas caipiras lá. Sabem que eu gosto. Agora vou caçar, vou pegar licença de caça esse ano para comer as comidas igual em Sobrália. Caçar os veados!

Esporte nunca pratiquei. Mais novo só pratiquei rodeio. Não mexo mais com rodeio, mas gosto de cavalo, de mexer com animal, gosto de roça, meu sonho é comprar uma fazendinha pequena. Moro num lugar bom, mas não tem bicho nenhum na minha casa. Quero comprar uma chácara lá. Montei três vezes, na verdade. Até me dei bem na primeira vez, fiquei em terceiro lugar na cidade, mas depois tomei uns amassos. Depois vim para os EUA trabahar, mas sempre fui apaixonado por luta, fisiculturismo, atletismo, corrida, essas coisas. Não tinha oportunidade porque fui criado na roça, mas, quando vim pra cá, vi logo os videos do Royce e quis ser lutador do UFC.

Royce Gracie como inspiração

Foi por causa do Royce (que quis virar lutador), porque vi a primeira luta dele e disse que tinha que fazer isso. Era isso que queria fazer. Sempre fui fã desde criança do Mike Tyson, esperava até 3, 4 horas da manhã para vê-lo lutar…dois minutos e acabou.

Conexão com a luta

Adoro lutar. Todo mundo pergunta porque sou tão tranquilo, mas sou tranquilo porque gosto de lutar, sei como me sinto no octógono, me sinto feliz, é como se fosse mais um treino, mas na frente de muita gente e vamos arrancar a cabeça de alguém.

Cortar capim para tratar de boi num sol de 40 graus. Pelo amor de Deus. Não é fácil. Uma das coisas mais difíceis que já fiz. Trabalhei nos EUA com uma coisa que você corta as árvores para moer que é mais ou menos parecido com cortar capim, mas no sol do Brasil não dá. É difícil. Pessoal que corta cana no Paraná, tenho um tio no Paraná que corta cana, tem que dar valor a esse pessoal.

Carreira no esporte e vida pessoal

Estou super feliz com a minha vida. Consegui pelas amizades que tenho, pela família, só tenho a agradecer. A felicidade não é o dinheiro. Não sou rico. Como diz o Joinha (Jorge Guimarães): “Somos pobres, mas somos nobres”. Não sou rico, mas sou muito feliz com a minha vida. No esporte sou feliz, mas ainda tenho que chegar ao cinturão que é o meu sonho, o que está faltando para mim, ser campeão do UFC. Tenho que lutar muito porque é luta, vou lutar até conseguir, mas, se não conseguir, minha vida já me deixa super feliz, não tenho do que reclamar.

O Combate transmite o “UFC: Lawler x Dos Anjos” neste sábado, 16 de dezembro, a partir das 19h (horário de Brasília), com Tempo Real e transmissão das duas primeiras lutas em vídeo pelo Combate.com.

UFC Fight Night

16 de dezembro, em Winnipeg (CAN)

CARD PRINCIPAL (a partir de 23h, horário de Brasília):
Peso-meio-médio: Robbie Lawler x Rafael dos Anjos
Peso-pena: Ricardo Lamas x Josh Emmett
Peso-meio-médio: Santiago Ponzinibbio x Mike Perry
Peso-meio-pesado: Glover Teixeira x Misha Cirkunov

CARD PRELIMINAR (a partir de 19h, horário de Brasília):
Peso-meio-pesado: Jan Blachowicz x Jared Cannonier
Peso-médio: Julian Marquez x Darren Stewart
Peso-meio-médio: Chad Laprise x Galore Bofando
Peso-meio-médio: Nordine Taleb x Danny Roberts
Peso-leve: John Makdessi x Abel Trujillo
Peso-médio: Alessio Di Chirico x Oluwale Bamgbose
Peso-meio-médio: Jordan Mein x Erick Silva

Fonte: GE