Governador eleito do AM participa de reunião com Jair Bolsonaro em Brasília

O governador eleito no Amazonas, Wilson Lima (PSC), participou, nessa quarta-feira (14), em Brasília, de uma reunião com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e outros 20 governadores eleitos para elaborar uma pauta comum de demandas que afetam as diversas áreas nos Estados afim de formatar um documento contendo as reivindicações. A reunião foi organizada pela Frente de Governadores do Brasil, formada pelos governadores eleitos do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de São Paulo, João Dória (PSDB) e do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC). Defesa das fronteiras, combate ao crime organizado, reformas da previdência e tributária dominaram as discussões.

Wilson Lima ressaltou a necessidade de estabelecer um consenso, levando em consideração as diversidades brasileiras. Ele apresentou o Amazonas como um Estado, que apesar de ter um território de 1,5 milhão km² e ser preservado ambientalmente, enfrenta problemas de ordem social de igual proporção, cuja solução depende de integração, combate ao narcotráfico e proteção da Zona Franca de Manaus.

“Segundo estimativas das Polícias Civil, Militar e Federal passam pelo Amazonas cerca de 100 toneladas de drogas por ano que entram pelas nossas fronteiras e seguem para outros estados. É injusto que o Amazonas tenha de arcar sozinho com este ônus da proteção das fronteiras. As reformas da previdência e tributária são essenciais. Esta última é a que mais nos preocupa. Algumas propostas ferem de morte a Zona Franca de Manaus, cujo modelo foi criado para proteger uma região estratégica para o Brasil e para o mundo. Nos últimos cinco anos, perdemos cerca de 50 mil postos de trabalho; 82% das atividades econômicas do Estado estão concentradas na capital por conta desses incentivos, que, hoje não podem ser alterados. Precisamos de apoio do Governo Federal, assim como dos senhores (governadores) para reduzir a desigualdade”, disse o governador eleito Wilson Lima.

O governador amazonense também lembrou que a retirada dos entraves para a pavimentação da BR-319 é um ponto emergencial que beneficiará tanto o Amazonas quanto os demais Estados, retirando-os do isolamento geográfico das demais regiões brasileiras e ressaltou a importância da união dos governadores para descontigenciar os recursos oriundos da Lei Kandir, que não foram repassados pela União aos Estados. “O Estado do Amazonas tem uma das maiores riquezas naturais do mundo. No entanto, metade da nossa população vive na linha da pobreza. Essas desigualdades precisamos corrigir. Faço aqui um apelo de um amazônida para que a gente continue preservando a floresta, mas não temos como fazer isso se não houver desenvolvimento social”, disse Lima.

Medidas amargas

Em seu primeiro encontro com os governadores eleitos e reeleitos em outubro, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que, por vezes, é necessário adotar “medidas que são um pouco amargas” para evitar o agravamento da crise no país. Ele não detalhou que medidas são essas, mas disse que o esforço é para evitar que o Brasil se transforme em uma Grécia.

“Algumas medidas são um pouco amargas, mas nós não podemos tangenciar com a possibilidade de nos transformarmos naquilo que a Grécia passou, por exemplo”, afirmou Bolsonaro. “Temos de buscar soluções, não apenas econômicas. Se conseguirmos diminuir a temperatura da insegurança no Brasil, a economia começa a fluir.”

Propostas

O governador do Distrito Federal abriu o evento agradecendo o espírito colaborativo dos 20 governadores eleitos que se dispuseram a participar, mesmo ainda não tendo tomado posse. “Esse é um encontro não apenas de governadores, mas de esperança nacional. Espero que seja o primeiro de muitos encontros para discutir os problemas com o intuito de encontrar soluções”, reforçou Ibaneis.

O apartidarismo foi defendido pelo governador de São Paulo, João Dória, para impedir que discussões acaloradas sobre defesas ideológicas emperrem as parcerias propostas. “Esta reunião não tem viés políticos. Os encontros irão acontecer para discutir as experiências positivas e negativas a fim de que o que for bem sucedido seja continuado e incorporado por outros Estados”, afirmou João Dória.

A burocracia que emperra o desenvolvimento dos setores produtivos foi o tema principal do governador do Rio de Janeiro, que defendeu veementemente a facilitação da implantação de novos negócios como forma de reverter as mazelas sociais. “Precisamos destravar a economia não só para os brasileiros, mas também para os estrangeiros. As amarras centralizam as decisões e impedem os investimentos. O modelo de concessão Parceria Público Privada (PPP) deve ser revisto no quesito de prazo”, destacou Witzel.

Com informações da assessoria do governador eleito e da Agência Brasil.