Governador eleito precisa começar a ditar ordens, a começar por sua posse

Desde a campanha eleitoral o governador eleito Wilson Lima (PSC) tem tido seus passos coordenados por outros profissionais: marqueteiros, coordenadores, advogados, técnicos, assessores…tudo para garantir a vitória nas urnas. Os passos coordenados – aliados, claro, a postura adotada ao longo da campanha – fizeram de Wilson o governador do Amazonas pelos próximos quatro anos.

Mas, ao que parece, o governador ainda não saiu do clima de campanha eleitoral e continua tendo- querendo ou não – as ações coordenadas por terceiros.

Desde o início da semana, por exemplo, o governador Amazonino Mendes (PDT) – no posto até 1º de Janeiro – conseguiu nomear aliados da cúpula da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) para o Conselho de Recursos Fiscais da Secretaria e tenta nomear outro aliado para a presidência do Comitê Gestor do Fundo de Incentivo de Cumprimento de Metas da Educação Básica no biênio de 2019-2020. Não se tem conhecimento de Wilson Lima ter movido uma palha para impedir as nomeações.

Até para se reunir com os prefeitos do interior do Estado Wilson Lima precisou de uma “ajudinha”. O encontro com 51 dos 62 prefeitos do Amazonas teve que ser orquestrado pela Associação Amazonense dos Municípios (AAM) e teve Wilson como convidado de honra.

E se não bastasse as nomeações que fez, Amazonino ‘disparou’ convites para empresários, aliados e parte do secretariado para a posse de Wilson Lima, realizada no dia 1º de janeiro, às 17h, no Teatro Amazonas.

A solenidade, tradicionalmente é realizada pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), a quem cabe dar posse ao governador eleito e quem coordena as ações de divulgação da solenidade em parceria, obviamente, com a equipe do novo Governo.

Mas, para nossa surpresa, membros da equipe de Wilson Lima informaram que ele não tem ingerência na solenidade. “A posse está sob encargo da Assembleia Legislativa”, responderam ao Radar. Essa foi a resposta diante de questionamentos feitos pelo Radar sobre a “novidade” – pra não denominar de coisa bem pior – criada para a posse dos eleitos onde a grande maioria dos veículos de comunicação – com raras exceções – tem que mandar um pessoa que terá que fazer as vezes de repórter, cinegrafista, fotógrafo e ainda fazer Live no caso de transmissão ao vivo. – se encontrarem algum jornalista que consiga fazer isso, será que dava pra me apresentar esse fenômeno? Pelo visto, Wilson não está dando as ordens nem na própria posse. Em 2019 e já empossado quem sabe o governador passe a ditar as ordens na casa, leia-se: no Governo do Amazonas.