Governador “filho de seringueiro” não paga, há dois anos, subsídio dos produtores de borracha, juta e malva

Os principais motes da campanha política de 2014 do governador José Melo, para ganhar votos, foi se dizer professor – há controvérsias, já que ele não mostrou uma foto sequer em sala de aula –  e também “um pobre e humilde filho de seringueiro nascido nas barrancas de Eirunepé” – há controvérsias de novo, já que Melo sequer nasceu em Eirunepé. Mas, controvérsias a parte, mesmo a propaganda do governador não sendo lá muito verdadeira, ele podia pelo menos honrar a memória de seu pai seringueiro e não deixar, durante dois anos, de pagar o subsídio que mantém os produtores de borracha, juta e malva.

Quem trouxe esse assunto à baila, esta semana, na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) foi o deputado estadual, Luiz Castro (Rede). “Como filho de seringueiro, o governador José Melo deveria olhar com mais atenção para a situação desses pequenos produtores, que passam necessidade no interior do Estado”, reclamou.

Essa não é a primeira vez que o parlamentar faz essa cobrança, inclusive através de ofício encaminhado ao Governo do Estado. A resposta do governador tem sido um “não tô nem aí” para produtores de borracha, juta e malva. Ele não dá sequer previsão sobre a regularização dos subsídios.

Os subsídios para a juta e malva deveriam ter sido pagos pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), mas com o atraso do repasse, a dívida já soma R$ 3,36 milhões – um valor irrisório se lembrarmos que R$ 25 milhões foram desviados do Banco do Povo para uma empresa do Rio de Janeiro, envolvida em esquema de propina.

No caso dos produtores de borracha a dívida chega a R$ 2,4 milhões. “São pequenos produtores, agricultores, cooperativas e associações prejudicadas”, afirmou. De acordo com Luiz Castro, a subvenção para os juticultores e seringueiros é um direito. “Não cumprir uma política de desenvolvimento é desrespeitar os trabalhadores. Como o Governo vai promover a matriz econômica desse jeito?”, questionou.

O deputado disse que o governador José Melo precisa lembrar da sua origem interiorana, no Juruá, e corrigir essa falha, que está prejudicando pessoas humildes, que trabalham duro para sustentar suas famílias. “Um governo que na propaganda diz ser das pessoas, deveria atender os mais necessitados”, observou.

Para Luiz Castro o Governo deveria estabelecer prioridades e apoiar o setor primário, oferecendo condições para a permanência das famílias de trabalhadores no interior do Estado. Na sua avaliação, cada família fixada no interior, é uma a menos na periferia de Manaus, vivendo em condições de pobreza, com seus filhos envolvidos com as drogas.

Castro lembrou ainda que o Governo Federal cumpriu a sua parte no repasse da subvenção aos produtores, efetivado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O subsídio para os produtores de borracha, juta e Malva vem desde os tempos em que o agora senador Eduardo Braga foi governador. Também permaneceu no governo de Omar Aziz. com algum atraso, mas depois foi regularizado. E, agora, no Governo de Melo já está dois anos sem pagamento. (Any Margareth)