Governador nega caos na saúde e desmente empresas sobre falta de pagamento dos terceirizados

Melo Saúde

Sem entrar em detalhes sobre o “acerto” que teria feito com as cooperativas médicas, o governador do estado, professor José Melo, afirmou que, em outubro do ano passado, o Estado manteve reuniões com todas as 23 cooperativas de saúde que prestam serviços à rede pública para regularizar a situação financeira. “Sentamos com todas as cooperativas e acertamos uma forma financeira de concluir o fim do ano. Honramos o que tínhamos acertado”, disse o governador, durante a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Adamor Guedes, na Praça 14, Zona Sul de Manaus.

Melo passou a responsabilidade pela falta de pagamento dos servidores da área de saúde terceirizados para as empresas ao dizer: “essas entidades precisam ter capacidade financeira para pagar seus funcionários”. Ele anunciou, ainda, a revisão geral nos contratos das cooperativas, este ano.

Mas apesar de dizer que está com os compromissos em dia com as cooperativas, o governador, num ato reverso, declarou que neste mês de janeiro vai “regularizar tudo” – o que é esse “tudo” ele também não explicou. “Agora esse mês de janeiro, através de um trabalho que fizemos, iremos regularizar tudo. Estamos revendo todos os contratos das cooperativas para poder reparar falhas e não termos mais desconfortos”, destacou.

Em mais um ato reverso, após dizer que os pagamentos com as cooperativas tinham sido feitos regularmente, o governador falou de um atraso de apenas um mês ao comentar: “O atraso em um mês (no repasse) não é motivo suficiente para que a empresa deixe de prestar serviço. O Amazonas foi um dos três Estados brasileiros que não atrasou salário de servidores. Ano passado pagou a folha e o 13º em dia. Agora tem empresas terceirizadas que contratam o seu pessoal e querem colocar na carga do Estado. Uma empresa que não tem condições de pagar os seus contratados com um mês de atraso (no repasse) deveria sair do mercado e dar lugar para outras que se planejam para contingências e têm condições de honrar seus compromissos”.

Ao invés de explicar as denúncias de falta de material cirúrgico nos hospitais, a suspensão de cirurgias, a falta de medicamentos, ausência de neurologistas, tomógrafos quebrado…, o governador se concentrou em citar números sobre investimentos que teriam sido feitos na área de saúde. Segundo ele, orçamento do ano passado, só com a saúde pública, o Governo aplicou R$ 2,7 bilhões, valor que corresponde a 23% da execução orçamentária.