Governador Wilson Lima ignora Saúde do Amazonas e deixa funcionários com 3 meses de salários atrasados

Enfermeiros intensivistas e radiologistas do Amazonas sofrem com descaso do gestor estadual

Yago Frota/ Estadão Conteúdo

Enfermeiros intensivistas e radiologistas do Amazonas sofrem com os constantes atrasos do Governo do Amazonas no pagamento de salários, que não é regularizado desde 2021. Os enfermeiros da rede estadual, que atuam em terapia intensiva em 14 unidades de saúde do Amazonas, e os técnicos de radiologia dos HPS João Lúcio e Joãozinho, pouco viram a cor do dinheiro neste 2022.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) afirmou que os pagamentos seriam regularizados nesta quinta-feira (5), mas até o momento, não foram quitados os débitos. O secretário estadual de Saúde (SES-AM), Anoar Samad, não se posicionou sobre os atrasos.

O único pagamento feito à Saúde neste ano ocorreu nessa quarta-feira (5), após muitas denúncias na Assembleia Legislativa dos deputados do Amazonas. A empresa Queiroz, responsável pelos enfermeiros da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon), recebeu o montante de  R$324.874,15, referente a pagamentos de salários de janeiro. Ou seja, eles seguem com fevereiro, março e abril atrasados.

Além deles, de acordo com denúncia do deputado Wilker Barreto, 274 enfermeiros intensivistas da rede estadual pública de saúde do Estado estão há três meses sem receber, bem como cerca de 80 técnicos de radiologia do Pronto-Socorro Joãozinho, que estão há três meses sem receber. Segundo a empresa Diagmax Serviços Médicos, os pagamentos de salário que não ocorrem desde fevereiro, e  não têm previsão de regularização, pois o último pagamento realizado pelo Governo foi referente aos serviços prestados em outubro de 2021.

O deputado lamentou, na tribuna estadual, a situação atual do Amazonas.  “Tem coisa que mais machuca uma mãe ou pai de família do que chegar no fim do mês e não ter o seu digno salário na conta? São mais de 200 enfermeiros que estão há três meses sem receber, imagina se 10% não conseguirem dinheiro para ir trabalhar, são vinte enfermeiros a menos nas UTIs. Imagina o caos que fica, é uma maldade sem precedentes”, lamentou o deputado.

Unidade hospitalar vive lotada

Com os atrasas, profissionais responsáveis pelos exames por imagem de baixa, média e alta complexidade nos HPS João Lúcio e Joãozinho, usados em neurocirurgia e politrauma e saúde infantil neurocirurgia pedriátrica, procedimentos como Raio-X, tomografia computadorizada, ecocardiografia, além das áreas de  neonatologia, neonatologia cardiológica, pediátrica, adulta e maternidade estão sendo prejudicadas com os atrasos.

Sobra investimento

De acordo com o deputado Dermilson Chagas (Solidariedade), o Governo do Amazonas soma um saldo de R$13 bilhões não investe em saúde. “O estado previu R$54,9 bilhões em receita para esse ano, mas arrecadou R$68,4, gerando um saldo nos cofres do estado. A atual gestão já arrecadou R$5 bilhões a mais que as gestões de 2013 até hoje, gerando um longo superávit na arrecadação”, descreveu Chagas.