Governo avaliza projeto que beneficia mais de 6 mil produtores de castanha no Amazonas

Aproximadamente 6,5 mil pessoas que vivem da coleta da castanha no interior do Amazonas terão a compra garantida do produto já na próxima safra, que se inicia em dezembro, com exportação inicial de 300 toneladas para os Estados Unidos. Memorando de Entendimentos com essa finalidade, de revitalização da cadeia produtiva da Castanha do Brasil no Amazonas, foi assinado nesta terça-feira, dia 22, na Agência de Fomento do Estado do Amazonas S.A. (AFEAM).

Além da AFEAM, que financiará associações e cooperativas de castanha, assinaram o documento órgãos de assistência técnica que compõem o sistema da Secretaria de Produção Rural (Sepror), Fundação Vitória Amazônica, cinco associações/cooperativas que trabalham com o produto nas calhas dos rios Purus, Alto Solimões, Madeira e Negro mais a empresa Magi Investiment, que atua há 30 anos no Amazonas e com operações também nos Estados Unidos.

“Diferente de iniciativas anteriores, da própria AFEAM, a diferença desse projeto é que pela primeira vez envolvemos toda a cadeia produtiva. Vamos financiar as associações e cooperativas, que movimentarão centenas de famílias coletoras, mas com a garantia da compra da produção, que já tem destino certo no exterior”, destaca o presidente da AFEAM, Alex Del Giglio.

Alex destaca a viabilidade do projeto justamente por envolver toda a cadeia produtiva, das famílias coletoras da castanha ao mercado consumidor. Segundo ele, é essa característica que torna a revitalização dessa cadeia produtiva uma realidade, com perspectivas reais de se consolidar com o passar dos anos.

O proprietário da Magi Investiment, empresário Bernardino Marques, explica que a ideia de exportar a castanha veio da constatação de que a Castanha do Brasil consumida nos Estados Unidos é exportada pela Bolívia e Peru. “Produto brasileiro, boa parte comprada no próprio Amazonas por empresa desses países, mas que não se converte em riqueza para o Estado”, afirma.

Segundo Bernardino, além de garantir a compra da castanha, a empresa auxiliará as associações e cooperativas no escoamento da produção e com infraestrutura nas regiões onde atuam e também em Manaus. “Vamos inicialmente exportar 300 toneladas, mas já no terceiro ano queremos elevar esse volume para 1 mil toneladas por safra, sabendo que o potencial consumidor é ainda muito maior”, acrescenta.

O secretário de Estado de Produção Rural, Dedei Lobo, que representou o governador David Almeida no evento, destacou o investimento do Estado via AFEAM em financiar as associações e cooperativas, com a garantia da compra da safra justamente para gerar riqueza no Amazonas. “O produto orgânico é muito valorizado no exterior, precisamos seguir nesse projeto, de valorização de nossas riquezas, gerando emprego e renda no nosso Estado”.

Desenvolvimento social
O projeto de revitalização da cadeia produtiva da castanha significa a ativação das usinas de processamento do produto, atualmente praticamente paradas, como explica o presidente da Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini (Coomaru), no município de Barcelos, João Evangelista de Souza.

“Trabalhamos 100% com o extrativismo, enfrentamos as dificuldades de nossa região, mas nesse projeto, enxergamos a valorização do extrativismo pelo Governo do Estado, o apoio e reconhecimento ao nosso trabalho. Com o financiamento (da AFEAM), poderemos aumentar a produção e o melhor, com compra garantida”, afirma João Evangelista.

O presidente da Cooperativa Mista Agroextrativista Sardinha (Coopmas), Astrogildo Oliveira da Costa, destacou a importância do apoio do Estado, da iniciativa do projeto pela AFEAM, com apoio o sistema Sepror, de estímulo ao extrativismo da castanha. “Enfrentamos muitas dificuldades, precisamos de financiamento, apoio técnico e logístico e esse projeto nos oferecerá tudo isso”