Governo de Wilson Lima já empenhou R$ 53,8 milhões para publicidade

Na televisão, bem no horário nobre, vejo uma propaganda institucional do Governo do Amazonas de prevenção ao coronavírus onde aparece Orquestra de Câmara do Amazonas e o maestro é interpretado pelo ator Felipe Freitas que mostra, ao som de “Pequena Serenata Noturna”, de Mozart, como lavar as mãos corretamente. Com os olhos de quem já trabalhou em agência de publicidade, vejo que a ideia foi bem concebida e acho a intenção boa também, mas meu senso crítico não me deixa parar de pensar quanto será que uma peça publicitária dessas tem custado aos cofres públicos, pincipalmente em tempo de pandemia onde, muitas vezes, uma família só precisa garantir o alimento à mesa para poder cumprir o isolamento social e ficar em casa.

E lá vou eu ver de perto esses custos no Site Transparência do Governo do Estado onde está registrado que o Governo de Wilson Lima já empenhou, em apenas pouco mais de quatro meses, R$ 53, 8 milhões para quatro agências de publicidade. Desse montante, já foram pagos R$ 24,4 milhões.

Salta aos olhos contratos milionários para aluguel e manutenção de equipamentos de vídeo onde não há nem mesmo processo licitatório, basta adesão a uma ata de Registro de Preço que nem do Amazonas é, foi “importada” do sul do país. O valor é de quase R$ 6 milhões.

Não diz nadica de nada no Site Transparência do Governo do Estado quanto desses R$ 24,4 milhões que já foram pagos, nem do restante dos R$ 53,8 milhões empenhados para pagamento foram parar nos veículos de comunicação parceiros do Governo, como a Rede Calderaro de Comunicação.

Vale ressaltar que não há no Radar a hipocrisia de falar mal de quem tem contrato com o Poder Público, seja ele qual for, já que para se manter uma estrutura de comunicação não basta apenas profissionalismo, comprometimento com a informação e esforço pessoal, há que se ter dinheiro também.

Mas, não há como não ficar matutando nos altos valores gastos com publicidade diante da falta de leitos de UTIs ou até mesmo de meros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). E os milhões gastos com publicidade tornam-se algo ainda mais detestável quando pensamos que tem alguém que só precisa de uma cesta básica pra mante sua vida e da sua família.