Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus fazem “jogo do empurra” sobre a responsabilidade de mais uma caso de “fura-fila” na vacinação

As respostas do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus para os questionamentos feitos pelo Radar Radar Amazônico sobre mais um caso de “fura-fila” na lista de prioridades para vacinação contra a Covid-19 deram a entender aquilo que chamamos de “jogo de empurra” do Poder Pùblico, quando um gestor empurra para outro a responsabilidade por algum ato público ilegal – muitas vezes imoral também. Como já aconteceu anteriormente em outros casos de “fura-fila”, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) diz que a responsabilidade da vacinação é com a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), enquanto que esta última alega que segue uma lista de servidores da saúde a serem vacinados conforme determinação da SES.

Nesta quinta-feira (4), o Radar publicou matéria sobre a vacinação do professor Gabriel Mota, mesmo ele não fazendo parte da lista de prioridades para imunização contra Covid-19, já que não está na linha de frente no atendimento a pacientes com a doença.

As Secretarias de Saúde, tanto do município quanto do estado, responderam ao questionamentos do Radar mas o que se observou foi o desencontro de informações sobre o processo de vacinação, visto que as instituições trabalham em conjunto para dar seguimento à imunização em Manaus.

Primeiramente, é preciso resgatar que Gabriel Mota, candidato a vereador nas eleições do ano passado, foi vacinado na última quarta-feira, dia 3, ato inclusive que se tornou público em suas próprias redes sociais. O professor alegou, na publicação, que atua na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) como educador e pesquisador na área de HIV/Aids. A justificativa não caiu bem pois alguns internautas o classificaram como “fura-fila” e Gabriel acabou deletando a postagem.

Então, o Radar questionou à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) sobre os critérios que validam a vacinação de Mota, assim como o local onde ele recebeu a dose da Coronavac e esta, por sua vez, informou que o rapaz de 27 anos não foi vacinado na FMT e que “cada profissional de saúde se responsabiliza pela sua elegibilidade quando assina o termo de responsabilidade antes da vacinação”. Ou seja, a secretaria do Estado está dizendo que o próprio vacinado decide se está elegível à imunização ou não.

Em nota, a SES-AM disse ainda que “a vacinação está ocorrendo nos locais determinados pela Semsa-Manaus”.

Diante da orientação de que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) é quem determina os locais, o Radar buscou posicionamento da pasta da Prefeitura de Manaus. Em sua resposta, a Semsa afirmou que é responsável pela “operacionalização da vacina, ou seja, a aplicação das doses, armazenamento, infraestrutura e logística”.

A Semsa acrescentou, também, que “a definição das listagens de trabalhadores da saúde dos estabelecimentos de saúde do Estado é de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (SES-AM)” e, na oportunidade, nos sugeriu que entrasse em contato com o Estado, o que já havia sido feito e este, por sua vez, indicou falar com o município.

Em outras palavras, os critérios para a vacinação de Gabriel Mota não foram especificados, o local não foi dito e as esferas “jogaram” a responsabilidade uma para a outra. Isso acontece em um momento onde os números de casos e mortes da Covid-19 se mantém altos o que exige organização entre os poderes para que a vacinação contemple, gradualmente, a população da forma mais justa possível, levando em consideração a prioridade de imunização de profissionais da saúde que estejam, de fato, na linha de frente contra o novo coronavírus.