Governo está colocando grávidas em risco, diz Associação de Ginecologia

Os problemas no sistema de saúde do Amazonas como falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) não estão afetando somente os profissionais que lidam na linha de frente do combate ao coronavírus nas unidades de saúde, mas também outras especialidades essenciais, como a obstetrícia, especialmente no atendimento de grávidas no Estado.

De acordo com um comunicado oficial emitido pela Associação Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (Assago), a situação da categoria e das pessoas que necessitam de atendimentos ginecológicos é grave. O documento está assinado pelos diretores responsáveis Sigrid Cardoso, Carlos Henrique Freire, Daniele Monteiro, Monica Bandeira de Melo, Jorge Leão, Luiz Carlos Junior, Katia Correa, Gilson José Corrêa e José Fernandes Viana.

Segundo o comunicado, o Governo do Amazonas não adotou nenhuma medida para amparar as gestantes e os profissionais da área. (Veja documento no final da matéria)

“Desde o início da pandemia temos nos preocupado com a situação referente aos Obstetras, Gestantes e Maternidades de nosso Estado, a Secretaria de Saúde tem sido reflexo de uma administração perigosa e despreparada colocando em risco constante as gestantes, nossos profissionais e todos os funcionários de apoio”, aponta a Associação.

Na semana passada, em meio da pandemia de coronavírus, o governador Wilson Lima decidiu exonerar o titular da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Rodrigo Tobias, e em seu lugar nomeou Simone Papaiz, vinda de São Paulo, para comandar a pasta.

Entre os problemas citados pela associação estão a falta de um fluxograma de atendimento às gestantes, parturientes e puérpera ‘que hoje acontecem de forma totalmente irregular’. Também não há, segundo o documento, um hospital de referência apto a atender este público, portanto não se sabe para onde referenciar as pacientes grávidas.

EPIs

Os profissionais de saúde das maternidades não receberam nenhum tipo de treinamento para este período de pandemia. Além disso, segundo o comunicado, também não possuem EPIs adequados para lidar com os pacientes, o que deixa os profissionais expostos com registros de vários deles contaminados e algumas mortes.

Até essa quinta-feira (16), segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o número de profissionais de saúde contaminados pela doença é de 122, o que corresponde a 7% do total no Estado, que é 1.719 pessoas infectadas.

Estrutura

Em se tratando de infraestrutura, as maternidades públicas do Estado também não possuem qualquer melhoria para este período. Até mesmo a Sala Rosa para atendimento de casos suspeitos de coronavírus, conforme informado, não está adequada.

“A Sala Rosa para atendimento dos casos suspeitos completamente inadequada, sem ventilação, com 1,5m de largura por cerca de 3m de comprimento a qual propicia a contaminação de quem lá adentra”, diz a associação no comunicado.

A associação relata, ainda, que não existem aparelhos exclusivos como sonar, que são usados em outras gestantes assintomáticas. Além de não haver alas específicas, como leitos de internação para pacientes sem complicação, com quartos ou enfermarias isoladas adequadas para abrigar as pacientes suspeitas.

Falta de higiene

E para piorar a situação, nem sequer higiene adequada os locais possuem. Segundo o documento, a limpeza é feita somente no chão, sem quaisquer outros cuidados com mesas, portas e geladeiras que são fontes de contaminação. “A desinfecção das áreas comuns das maternidades restringe -se ao chão e somente uma vez a cada 12 horas de plantão”.

A associação denuncia que as rotinas de higienização de mesas e utensílios de uso comum no atendimento só ocorrem se partir da iniciativa dos próprios funcionários. “As camas, na maioria das vezes, não possuem sequer lenções para cobri-las, o que dizer de ser higienizadas com álcool a 70%. Os banheiros seguem no mesmo sentido”, diz.

Preocupados com a saúde dos profissionais de saúde que atuam nessa especialidade e das gestantes que necessitam dos atendimentos, os diretores da Assago solicitam, entre outras coisas, entrega imediata de EPI aos funcionários. Caso contrário, segundo o comunicado, a associação poderá tomar medidas jurídicas cabíveis.

Pedido de socorro

Os outros pedidos feitos pela entidade são: que as  gestantes sejam direcionadas a um hospital de referência de atendimento aos casos de Covid-19; elaboração imediata  de um fluxograma de atendimento; restrição de visitas e acompanhantes nos locais de atendimento, salvo situações especiais; que seja mantido o funcionamento dos ambulatórios de pré-natal das pacientes, observando-se os cuidados necessários para este atendimento e a implementação de medidas de prevenção da disseminação da doença entre a população e os próprios profissionais da saúde.

Confira o documento na íntegra