Governo reduz impacto do Funrural no Orçamento de 2019 para R$ 5,3 bi

O Ministério da Fazenda fechou nessa quarta-feira (5) um novo cálculo de impacto orçamentário causado pela Medida Provisória (MP) que autoriza a renegociação de dívidas rurais.

O texto, aprovado na Câmara dos Deputados na terça-feira (4) e ainda pendente de votação no Senado, vai gerar custo de R$ 5,3 bilhões à União.

O cálculo interno da pasta é mais um capítulo do vaivém que envolve a proposta.

Com ampliações nos benefícios e recuos ao longo da tramitação, a estimativa de impacto mudou mais de uma vez e agora gera divergências entre governo e Congresso.

O relator da matéria, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirma que a versão final do projeto gera um custo de R$ 2 bilhões ao governo.

Inicialmente, a proposta do presidente Michel Temer restringiu o benefício da renegociação de dívidas apenas a pequenos agricultores do Norte e Nordeste, no âmbito do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Nesse formato, o impacto era calculado em R$ 1,6 bilhão.

Depois, o relator chegou a ampliar o total de dívidas que poderiam ser renegociadas e a abrangência do benefício para produtores rurais de todo o país.

O senador, entretanto, recuou de parte da mudança, que teria impacto estimado em R$ 17 bilhões.

Na versão aprovada pela Câmara, agricultores familiares do Norte e Nordeste poderão renegociar dívidas contratadas até 2011 com descontos de até 95%.

Para as outras regiões, o desconto será menor -de 60% para operações contratadas até 2006 e 30% para as dívidas assumidas até 2011.

O texto também prorroga o prazo de adesão ao programa conhecido como Refis do Funrural do fim de outubro para 30 de dezembro.

Nessa nova versão, Bezerra argumenta que o impacto foi reduzido para R$ 2 bilhões, número diferente do estimado pelo Ministério da Fazenda.

Na noite de terça, durante a análise em plenário, representantes da liderança do governo na Câmara ainda afirmavam que o projeto traria custo de R$ 17 bilhões.

Com esse argumento, os parlamentares disseram que a ordem do Planalto era a de não votar a matéria. O texto acabou sendo aprovado, mas agora o cálculo do governo prevê um impacto de menos de um terço desse valor.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse que gostaria de ter votado a MP em plenário ainda nesta semana, mas o texto não foi enviado a tempo pela Câmara.

A previsão é que ele seja votado pelos senadores na segunda semana de outubro, depois do primeiro turno das eleições.

Se for mantido no mesmo formato aprovado pela Câmara, o Ministério da Fazenda avalia se vai sugerir a Temer o veto dos trechos que ampliaram benefícios e elevaram o impacto inicial de R$ 1,6 bilhão para R$ 5,3 bilhões.

Fonte: Folhapress.